Cliff Owen / AP
Cliff Owen / AP

Príncipe saudita acusa o Irã por ataques a petroleiros no Golfo Pérsico

Bin Salman também adiantou que seu país não terá dúvidas em responder a ameaças

AFP e EFE, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2019 | 20h57

RIAD - O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed bin Salman, acusou diretamente o Irã pelos atentados contra navios petroleiros no Golfo Pérsico, segundo trechos de uma entrevista divulgada neste domingo (noite de sábado no Brasil).

"O regime iraniano não respeita a presença do primeiro-ministro do Japão como convidado em Teerã e respondeu aos esforços (diplomáticos) atacando dois navios-tanques, um deles japonês", disse o príncipe ao jornal saudita Asharq al-Awsat, referindo-se aos atentados de quinta-feira. O Irã nega ser responsável pelos ataques.

Na mesma entrevista, o príncipe saudita adiantou que seu país não terá dúvidas em responder a ameaças. "Não queremos guerra na região. Mas não duvidaremos em enfrentar qualquer ameaça contra nosso povo, nossa soberania, nossa integridade territorial e nossos interesses vitais", disse.

Os dois ataques contra petroleiros no Golfo Pérsico elevaram os preços internacionais do petróleo, em um contexto de elevada tensão entre o Irã e os EUA, que abandonou o acordo sobre o programa nuclear iraniano.

O navio de bandeira japonesa "Kokuka Courageous" transportava metanol quando foi atingido por explosões no Golfo de Omã. Outro barco, de propriedade da empresa norueguesa Frontline, também foi atacado.

Imediatamente, o presidente americano, Donald Trump, assegurou que o Irã era o responsável pelos atentados. O governo americano divulgou um vídeo mostrando uma balsa, que ele assegura ser iraniana, retirando uma mina que não explodiu do casco de um dos navios, para ocultar seu envolvimento no ataque.

O Japão, que estava evitando o assunto, pediu aos Estados Unidos provas concretas para respaldar a afirmação de que o Irã está por trás do recente ataque. O governo japonês continua sem estar convencido e considera que as explicações dos Estados Unidos não ajudaram passar da fase da especulação.

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, havia dito que a avaliação dos Estados Unidos se baseava em relatórios de inteligência, nas armas usadas, no nível de conhecimento necessário para executar a operação, nos ataques similares contra navios cometidos pelo Irã recentemente e no fato de que nenhum grupo rebelde da região tem os recursos para agir neste nível de sofisticação.

"Essas não são provas definitivas de que se trata do Irã", disse uma fonte próxima ao primeiro-ministro, Shinzo Abe. "Se ter o nível de experiência necessária é considerado um argumento de peso para determinar que se tratou do Irã, isso também se aplicaria a Estados Unidos e Israel", disse uma fonte do Ministério das Relações Exteriores japonês.

"Os ataques afetaram gravemente a reputação do primeiro-ministro porque ele estava tentando ser mediador entre Estados Unidos e Irã", afirmou a mesma fonte, que classificou o assunto como uma "preocupação séria" para Tóquio no qual "cometer erros na hora de determinar os fatos é inadmissível".

Teerã, que nega ter cometido os atentados, já tinha alertado no passado sobre a possibilidade de bloquear o estratégico Estreito de Ormuz no caso de um ataque americano. O bloqueio do Estreito impediria o importante trânsito de navios petroleiros rumo a rotas globais de distribuição de petróleo.

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