Tolga Akmen/AFP
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Príncipe William rebate acusação de racismo na família real

Segundo na linha de sucessão ao trono britânico diz que realeza não é racista e garante que vai falar com irmão

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2021 | 18h22

LONDRES - O príncipe William defendeu nesta quinta-feira, 11, a família real britânica, afirmando que ela “não é racista”, depois que seu irmão, Harry, denunciou conversas no Palácio de Buckingham sobre a cor da pele que teria seu filho com a americana Meghan Markle, cuja mãe é negra.

“Não somos uma família racista”, disse William, de 38 anos, segundo na linha de sucessão ao trono britânico, durante visita a uma escola de um bairro multirracial da zona leste de Londres, com sua mulher, Kate.

Ele afirmou também que não fala com Harry desde a transmissão da entrevista, no domingo, mas tinha intenção de fazê-lo, o que alguns interpretaram como uma confirmação do distanciamento entre os dois irmãos.

Harry e Meghan explicaram seu afastamento da família real britânica e seu exílio na Califórnia em uma entrevista explosiva exibida no domingo, na CBS, emissora dos EUA. No entanto, o que deixou a entrevistadora Oprah Winfrey sem palavras foi o momento em que o casal afirmou que um membro não identificado da família real – que não foram a rainha Elizabeth, nem seu marido, o príncipe Philip – comentou com Harry sobre a cor da pele que teria seu filho Archie, que ainda não havia nascido. 

As acusações provocaram um debate intenso sobre o passado colonial e o racismo no Reino Unido, iniciado há um ano com os protestos do movimento Black Lives Matter, o que levou o país a analisar sua história e a relação com o comércio de escravos. 

Agora, o tema está sob os olhares de todo o planeta, em especial nos EUA, onde o casal mora desde que abandonou a monarquia há um ano, e na Commonwealth, um conjunto multirracial de mais de 50 países unidos por seus laços históricos com a corona britânica.

Harry, de 36 anos, e Meghan, de 39, explicaram que o afastamento ocorreu em razão da falta de apoio da coroa britânica diante da pressão insustentável e do racismo da imprensa sensacionalista.

Isso provocou a ira do diretor da Sociedade de Editores do Reino Unido, Ian Murray, que garantiu que a imprensa britânica não é sectária, nem racista. No entanto, mais de 250 jornalistas também se manifestaram qualificando a “negação” feita por Murray de “ridícula”, o que fez com que ele renunciasse, na quarta-feira.

A rainha Elizabeth, de 94 anos, afirmou que leva “muito a sério” as acusações de racismo e se comprometeu a abordar o assunto “em família, de modo privado”, mas destacou que as recordações do que aconteceu “podem variar” de acordo com as pessoas. “A cuidadosa escolha de palavras sugere que a família não concorda com tudo o que falaram os duques de Sussex”, destacou o jornal conservador The Daily Telegraph.

Para o especialista constitucional Robert Hazell, do University College London, a questão só “vai virar uma crise para a instituição caso pesquisas comecem a mostrar uma queda significativa no apoio à monarquia” no Reino Unido. / AFP

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