Ariel Schalit / AP
Ariel Schalit / AP

Príncipe William vai a Israel e visita Memorial do Holocausto em Jerusalém

Esta é a primeira visita oficial de um membro da família real aos territórios israelenses e palestinos; presidente de Israel pediu ao duque de Cambridge que envie uma mensagem de paz a Abbas

O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2018 | 10h59

JERUSALÉM - O príncipe William, segundo na linha de sucessão à coroa britânica, confessou sua emoção nesta terça-feira, 26, após visitar o Memorial do Holocausto em Jerusalém, durante a primeira visita oficial de um membro da família real a Israel e aos territórios palestinos.

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O duque de Cambridge, que chegou à Jordânia na noite de segunda-feira, iniciou sua visita com um momento de meditação no Yad Vashem. Passagem quase obrigatória para todo oficial que visita Israel, o memorial dedicado ao extermínio de seis milhões de judeus durante a 2.ª Guerra "me ensinou muito mais do que eu acreditava que sabia sobre os verdadeiros horrores" sofridos pelos judeus, declarou logo depois, quando foi recebido pelo presidente israelense, Reuven Rivlin.

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Vestindo um terno escuro, sentou-se por alguns instantes para conversar com dois sobreviventes do Holocausto. Usando um quipá, ele depositou uma coroa de flores e reacendeu a chama no vasto sepulcral da recordação, onde um coral de crianças cantou "Eli, Eli", cântico inspirado em um poema de 1942.

O príncipe trocou algumas palavras com os coristas e deixou uma mensagem no livro de visitas. "Nunca devemos esquecer o Holocausto", escreveu em tinta azul, acrescentando que "todos nós temos a responsabilidade de lembrar e ensinar as futuras gerações sobre os horrores do passado, para que eles não se reproduzam nunca".

Se o Holocausto "questiona a própria humanidade", ele elogiou a coragem daqueles que ajudaram os judeus. "O fato de que minha bisavó seja uma das Justas entre as nações é uma honra para mim", completou. Em 1993, Yad Vashem havia elevado a princesa Alice à categoria de Justa entre as Nações por ter salvado judeus na Grécia. O príncipe William visitará seu túmulo na quinta-feira.

O duque de Cambridge, que viajou sem sua mulher, Kate, foi recebido pelo primeiro-ministro Binyamin Netanyahu e por sua mulher, Sara, e depois pelo presidente Rivlin. William também deve se reunir com o líder da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, na Cisjordânia ocupada, antes de se encontrar com jovens palestinos e refugiados.

Apelo

Os serviços do príncipe no Palácio de Kensington insistem no fato de que, apesar da persistência do conflito entre Israel e os palestinos, a visita será desprovida de mensagem política. Ela tem como objetivo alcançar as pessoas, sua juventude, sua cultura e suas forças inovadoras, indicaram.

O príncipe William disse a Rivlin que deseja, durante sua estada, "absorver e compreender as diferentes questões, as diferentes culturas, as diferentes religiões", e talvez compreender os meios de "promover a paz na região".

Fã de futebol, Rivlin provocou o torcedor do Aston Villa e perguntou a ele, em plena Copa do Mundo, se a Inglaterra "emprestaria" o atacante Harry Kane para Israel. "Sei que você vai se encontrar com o presidente Abbas. E gostaria que você lhe enviasse uma mensagem de paz e lhe dissesse que é hora de encontrarmos juntos o caminho da confiança.”

O horizonte da paz nunca pareceu tão distante e, para o príncipe, o exercício diplomático é delicado. Sua visita ocorre pouco mais de um mês após a inauguração da embaixada dos EUA em Jerusalém, que endossou o reconhecimento do presidente americano, Donald Trump, da cidade como a capital de Israel, uma decisão vigorosamente contestada pelos palestinos.

Esta inauguração coincidiu com um banho de sangue na Faixa de Gaza, território palestino sob bloqueio. Uma nova guerra entre Israel e o movimento islâmico palestino Hamas ameaça a região.

Os membros da direita israelense criticaram o fato de que a parte da visita do príncipe a Jerusalém Oriental e à Cidade Velha tenha sido apresentada pelos britânicos como tendo lugar nos territórios palestinos ocupados.

A anexação de Jerusalém Oriental por Israel nunca foi reconhecida pela comunidade internacional, que considera a região como território ocupado. "Estamos apenas seguindo décadas de resoluções do Conselho de Segurança da ONU", disse o cônsul-geral britânico, Philip Hall. / AFP

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