Leo Ramirez/AFP
Leo Ramirez/AFP

Prioridade de opositor venezuelano após fim da greve de fome é libertar presos políticos

Mulher de Leopoldo López afirma que ele não deve concorrer na eleição legislativa e apoiará outros líderes da oposição 

Jamil Chade, correspondente / Genebra, O Estado de S. Paulo

30 de junho de 2015 | 12h53

GENEBRA - O opositor venezuelano Leopoldo López não deve ser candidato às eleições parlamentares na Venezuela, marcada para o dia 6 de dezembro, afirmou ao Estado sua mulher, Lilian Tintori. Ela deixou claro que, por enquanto, sua prioridade é garantir que os outros presos políticos sejam liberados e pede que a Unasul monitore desde já a campanha eleitoral e que não aguarde o momento do voto para examinar se o pleito ocorrerá de forma limpa. 

"Leopoldo López não pensa agora em ser candidato", disse. "Ele dará seu apoio para que outros sejam candidatos. Existem líderes presos, como ativistas e estudantes. Ele sugere que essas pessoas se lancem para que os possam liberar", explicou Lilian. "Sua prioridade é garantir a liberdade dessas pessoas." 

Há uma semana, López e outras 104 pessoas encerraram uma greve de fome que durou 30 dias. O objetivo era pressionar o governo para que as eleições parlamentares fossem marcadas. "Conseguimos isso. Mas o próximo passo é a liberação dos presos políticos, que somam 75 pessoas. Já liberaram duas pessoas e estamos avançando", afirmou a mulher do opositor.

Outra prioridade de Lilian é garantir que as campanhas eleitorais sejam monitoradas por atores externos, como a Unasul, OEA e União Europeia. "Já temos a data da eleição. Mas pedimos que a comunidade internacional se mantenha vigilante", disse. "Essas missões precisam começar imediatamente." 

"Faltam apenas seis meses e já existem campanhas em curso. E são campanhas que não são justas. Usam dinheiro do Estado para financiar candidatos do governo e isso é irregular. Por esse motivo é que precisamos de monitoramento internacional", disse Lilian. 

Sobre as condições de saúde de seu marido, Lilian diz que ele perdeu 14 quilos em 30 dias de greve de fome. "Mas ninguém o examinou para saber se está bem. Nem durante a greve e nem depois", alertou. Ela ainda lembrou que, dos 16 meses de prisão de López, ele permaneceu nove em total isolamento. 

ONU. Antes de falar com o Estado, Lilian discursou no Conselho de Direitos Humanos da ONU. "Meu marido está preso por exigir mudanças democráticas", disse. "Não cometeu delitos e a ONU já deixou claro que sua detenção é ilegal. Hoje, existem 75 presos políticos e a Cruz Vermelha precisa ter acesso às prisões", alertou. 

Ela insistiu que não falava apenas em nome do marido. "Estou aqui em nome de todos os presos e torturados. Leopoldo está preso porque denuncia as violações aos direitos humanos", completou. 

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