AFP PHOTO / POOL / Carl Court
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May apresenta plano de governo mais moderado ao Parlamento britânico

Rainha Elizabeth discursa na abertura da legislatura e fala sobre as propostas da conservadora: Brexit menos duro e abandono de projetos domésticos impopulares

O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2017 | 10h40
Atualizado 21 de junho de 2017 | 17h51

LONDRES - Um plano mais moderado para negociar o Brexit com a União Europeia e a desistência de medidas impopulares de política interna são as marcas do programa de governo da primeira-ministra britânica, Theresa May, apresentado nesta quarta-feira, 21, ao Parlamento pela rainha Elizabeth II.

 

O chamado Discurso da Rainha marca o início do calendário parlamentar britânico. Os plano de 27 leis apresentado ao Parlamento deve ser aprovado tanto pela Câmara dos Comuns quanto pela dos Lordes até o dia 29, data em que May espera ter obtido o apoio do Partido Unionista Democrático, da Irlanda do Norte, para um governo de minoria. 

Oito dessas legislações são sobre o Brexit. O governo de May prometeu levar a Bruxelas propostas de um acordo que funcione para todo o Reino Unido e conte com o máximo de apoio da população. May prometeu também que as leis refletirão o resultado do referendo, no qual a saída da União Europeia venceu por uma diferença de apenas quatro pontos porcentuais.

 

A mudança se deve à derrota política de May nas eleições legislativas do dia 8, na qual ela perdeu a maioria absoluta no Parlamento após antecipar as eleições com o argumento de que pretendia aumentar a bancada do Partido Conservador e negociar o chamado “Brexit duro” com a UE. 

Entre os projetos de lei apresentados sobre o divórcio com Bruxelas estão a revogação da Lei de Adesão à Comunidade Europeia, de 1972, e a saída do Tribunal Europeu de Justiça, além de projetos relativos a impostos, imigração, pesca, comércio e agricultura. O conteúdo da legislação, no entanto, ainda não está definido. 

Fontes do mercado financeiro esperam que May concentre o rompimento principalmente em acordos de imigração e poupe os laços econômicos entre a poderosa City financeira londrina e a UE. Representantes de Bruxelas, principalmente a chanceler alemã, Angela Merkel, no entanto, resistem a essa ideia.

“A prioridade do meu governo é conseguir o melhor acordo possível para o país quando sair da União Europeia”, disse a rainha em nome de May. “Trataremos também de conseguir o melhor consenso possível sobre o futuro do país fora da UE.”

As principais mudanças no plano de governo de May em relação ao manifesto apresentado na campanha, no entanto, dizem respeito à política interna - leis as quais eram bastantes impopulares e são vistas por analistas como uma das razões para sua derrota política. 

Entre elas estão o projeto para cobrar por merenda escolar, racionamento de combustível para aposentados no inverno, a introdução de escolas de elite no ensino fundamental e até a legalização da caça à raposa. 

Após, durante a campanha, May ter prometido alterar leis de direitos humanos para combater o terrorismo, nenhum projeto específico nesse sentido foi apresentado. O país sofreu quatro atentados desde março, que deixaram 35 mortos. 

O líder da oposição, o trabalhista Jeremy Corbyn, criticou o plano de governo, que chamou de “esfarrapado”. 

“É um plano de um governo que perdeu a maioria e aparentemente ficou sem ideias”, disse. “É um plano fraco.” / AP, AFP,EFE e REUTERS

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