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Prisão de ativistas abre crise no diálogo entre regime e oposição na Venezuela

Coalizão opositora suspende reuniões até a chegada de chanceleres da Unasul, na quinta-feira

O Estado de S. Paulo,

13 Maio 2014 | 10h56

(Atualizada às 23h) CARACAS - A coalizão opositora venezuelana Mesa da Unidade Democrática (MUD) anunciou na terça-feira, 13, a paralisação das negociações com o governo chavista até quinta-feira, quando é esperada a chegada dos chanceleres da União das Nações Sul-americanas (Unasul) a Caracas para um balanço do primeiro mês de diálogo no país. Segundo membros da oposição, a decisão foi motivada pela prisão de manifestantes na semana passada.

De acordo com o secretário executivo da MUD, Ramón José Medina, as reuniões estão suspensas como forma de rejeição à "repressão injustificada contra estudantes e manifestantes".

"As reuniões foram paralisadas até a chegada dos chanceleres da Unasul para poder fazer assim um balanço de tudo o que aconteceu na presença deles", disse outro representantes da MUD no processo de diálogo, o presidente do partido Copei, Roberto Henríquez.

Ainda de acordo com Medina, outro fator que levou à paralisação do diálogo, foi uma declaração do presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, que disse na segunda-feira que presidiria a Comissão da Verdade que investigará os atos violentos dos últimos meses de protestos contra o presidente Nicolás Maduro. A oposição defende a nomeação de um presidente independente para o órgão. "Ou o governo baixa o tom ou não podemos continuar com o diálogo", disse Medina.

Na noite de terça, uma reunião da MUD definiria os novos passos do bloco. Havia reuniões previstas de diversas comissões que formam o processo de negociação, entre elas as de anistia, descentralização e a de nomeação de funcionários públicos para cargos em aberto.

Na quinta-feira, policiais desmantelaram quatro acampamentos de estudantes que havia mais de um mês protestavam contra o governo. Segundo a procuradoria-geral da Venezuela, 243 jovens foram presos. Deles, 12 permanecem detidos acusado de porte ilegal de armas, obstrução de vias públicas, tráfico de drogas e outras acusações.

Espera-se que a quarta reunião no processo de diálogo entre governo e oposição ocorra na quinta na capital venezuelana com a presença dos três chanceleres da Unasul que se comprometeram a acompanhar as conversas que têm como objetivo amenizar a crise política na Venezuela.

A chanceler da Colômbia, María Ángela Holguín, que integra a comissão de chanceleres juntamente com seus colegas do Equador, Ricardo Patiño, e do Brasil, Luiz Alberto Figueiredo, confirmou em Bogotá que na quinta-feira será realizada essa reunião entre as partes em confronto.

Ainda nesta terça, Lilian Tintori, a mulher do líder opositor Leopoldo López, preso em fevereiro sob a acusação de incitar os protestos, disse estar confiante no diálogo entre o governo e a oposição. "Temos de trabalhar juntos e em grupo para conseguir as mudanças positivas para a Venezuela e tenho a certeza de que vai ser assim", disse Lilian.

A mulher de López ressaltou, no entanto, que desde o início das negociações ainda não foram vistos resultados concretos. "Ainda estamos esperando a libertação de todos os presos políticos", afirmou. "Não de um grupo de três ou quatro mas de todos eles que ainda estão presos."

O processo de diálogo entre o governo e a oposição começou em abril, com intermediação da Unasul e do Vaticano. Desde fevereiro, os protestos no país deixaram 42 mortos e 817 feridos. Ao menos 2,5 mil pessoas foram presas, das quais 197 permanecem detidas. / EFE, AP, AFP e REUTERS

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