Prisão de empresário gera preocupação na Venezuela

Agentes da polícia política do governo venezuelano, a Disip, detiveram na madrugada de hoje o presidente da Fedecámaras (principal entidade empresarial do país), Carlos Fernández, e estão à procura do presidente da Confederação de Trabalhadores da Venezuela (CTV), Carlos Ortega. Os dois, principais líderes da greve geral de dois meses iniciada em 2 de dezembro, tiveram a prisão preventiva decretada pelo juiz de Caracas Maikel Moreno, e são acusados de "rebelião civil, traição à Pátria, incitação ao crime, formação de quadrilha e vandalismo". Fernández foi detido quando saía de um restaurante em Caracas.A greve geral, convocada para exigir a renúncia do presidente venezuelano, Hugo Chávez, e a realização de eleições antecipadas, afetou a produção e a exportação de petróleo - principal fonte de divisas da Venezuela -, causando centenas de milhões de dólares de prejuízos e aprofundando a greve crise econômica do ao país.Hoje mesmo um grupo de opositores voltou às ruas de Caracas e dirigiu-se à sede da Disip, onde Fernández está detido. A Coordenação Democrática (CD), o organismo que reúne as entidade de oposição a Chávez, convocou também uma série de manifestações de protesto, como um "panelaço", marcado para a noite de hoje.Também convocou uma marcha até a sede da Fedecámaras e paralisações de várias categorias profissionais por períodos de 15 minutos.Jesús Méndez, secretário do partido Ação Democrática, integrante da CD, disse que esses protestos são a resposta da oposição ao "golpe totalitário" do governo.Por meio de porta-vozes, Ortega disse que não se entregará e anunciou que passará à clandestinidade. "Não temos nenhuma garantia. Aqui não há Estado de Direito", afirmou Ortega, declarando-se vítima de perseguição política."Ontem (quarta-feira) à noite fui dormir com um sorriso", disse Chávez num debate público sobre a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), em Caracas. "Fui informado da ordem de prisão à meia-noite e disse: ´Bem, cumpra-se a ordem´. À 1 hora, pedi que me trouxessem um doce de mamão que minha mãe me mandou. Não que eu tenha ódio a quem quer que seja, mas tem de haver justiça", completou Chávez. "Depois, soube que um dos golpistas da Fedecámaras tinha sido preso. Parece que o outro líder golpista (Ortega) ainda está foragido."Fernández foi uma das personalidades que referendaram, com sua assinatura, o decreto que aboliu todas as instituições democráticas do país durante o fracassado golpe de Estado de abril. O decreto tinha sido emitido por Pedro Carmona, que presidiu o país por menos de 48 horas. Carmona, hoje asilado na Colômbia, foi o antecessor de Fernández na presidência da Fedecámaras.Em Washington, o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Richard Boucher, qualificou de "muito preocupante" a prisão de Fernández. "Combinado com os últimos acontecimentos, isto aumenta nossa preocupação com a situação dos direitos humanos na Venezuela", disse Boucher. "Esperamos que as autoridades respeitem os direitos do sr. Fernández, tal como garante a Constituição venezuelana."

Agencia Estado,

20 de fevereiro de 2003 | 18h48

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