Prisão de Hadzic abre portas da União Europeia à Sérvia

País ainda deve passar por anos de negociações e reformas antes se ingressar no bloco

Associated Press

20 de julho de 2011 | 15h26

BRUXELAS - A prisão de Goran Hadzic, o último criminoso de guerra procurado pelo Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII), significa a superação do último obstáculo para a abertura de um diálogo entre a União Europeia e a Sérvia para a entrada do país no bloco.

 

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Hadzic, um líder rebelde servo-croata foragido desde meados da década de 1990, foi preso nesta quarta-feira, 20. Ele era procurado por crimes de guerra cometidos durante a Guerra da Bósnia. E embora seja um agente menos significativo quando comparado aos outros detidos, sua detenção era uma condição imposta pela União Europeia para começar a negociar o status da Sérvia como membro.

 

A Sérvia colocou seu ingresso no bloco europeu como a prioridade de sua política externa, mas sempre esbarrou nos argumentos de que não havia detido todos os responsáveis pelos crimes cometidos durante a guerra. Agora, porém, espera-se que o país torne-se o 28º membro da União Europeia.

 

Os líderes do bloco receberam bem a notícia da prisão de Hadzic e saudaram "a determinação e o compromisso" do governo de Boris Tadic, premiê sérvio. "Este é um importante passo para Sérvia e sua perspectiva europeia e é igualmente crucial para a justiça internacional", diz um comunicado conjunto assinado pelo presidente da União Europeia, Herman Van Rompuy, a chefe da diplomacia do bloco, Catherine Ashton, e do chefe da Comissão Europeia, José Manuel Barrios.

 

"Depois da captura de Ratko Mladic, essa prisão envia um sinal positivo à União Europeia e aos vizinhos da Sérvia, mas mais que tudo mostra o poder da lei na própria Sérvia", continua a nota. "A nação está no processo de enfrentar seu passado e virar a página para um futuro melhor na Europa".

Como outros candidatos a entrar no bloco, deve levar anos de negociações e reformas econômicas para que a Sérvia atenda às demandas democráticas e de livre mercado feitas pela União Europeia. Novas leis deverão ser criadas e mudanças devem abranger desde o sistema de saúde aos sistemas financeiro e judiciário.

 

Em outubro, a Comissão Europeia - o braço executivo da União Europeia - deve apresentar o relatório de progresso sobre a Sérvia e espera-se que o processo déjà concluído, uma vez que o país cumpriu os requerimentos para sua candidatura. O relatório será submetido à aprovação dos Estados-membros em dezembro.

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