Reuters
Reuters

Prisão de líder marfinense encerra crise

Com apoio de soldados da ONU e franceses, milicianos leais ao presidente Alassane Ouattara prendem Laurent Gbagbo, que havia 5 meses se recusava a deixar o poder; autoridades pretendem levar ex-mandatário da Costa do Marfim a julgamento

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / PARIS

Capacetes azuis da ONU, soldados da França e milicianos opositores prenderam ontem, em Abidjã, o ex-presidente da Costa do Marfim Laurent Gbagbo. A detenção foi informada pela TV estatal às 15h54, encerrando quatro meses de confrontos entre partidários do ex-chefe de Estado, que tentava se manter no cargo pela força, e as milícias rivais, lideradas por Alassane Ouattara.

Agora, Ouattara, candidato vencedor das eleições de novembro e reconhecido pela comunidade internacional como presidente, terá a missão de pacificar o país. Ontem ele apareceu na TV e pediu à população que permaneça calma e evite todas as formas de represália e violência.

A libertação do país das mãos de Gbagbo definiu-se na tarde de ontem, quando tropas francesas cercaram seu bunker, parcialmente destruído pelas ações militares. O cerco com tanques ocorreu um dia após um violento ataque com helicópteros franceses, que abalaram a defesa das forças de Gbagbo.

Segundo a versão oficial, divulgada pela ONU e confirmada pela França, tropas da missão das Nações Unidas (Onuci) garantiram o isolamento do prédio, enquanto milicianos fiéis a Ouattara invadiram o bunker e prenderam o ex-presidente. Mas a agência Reuters noticiou que soldados da França teriam participado diretamente da prisão.

A versão foi desmentida pelo embaixador francês na Costa do Marfim, Jean-Marc Simon. "Gbagbo foi preso por forças republicanas da Costa do Marfim", assegurou, referindo-se aos milicianos pró-Ouattara.

Gbagbo não expressou reação - segundo seu porta-voz, ele teria se rendido. Detido, foi conduzido ao Hotel du Golf d"Abidjan, que havia se tornado o quartel general da oposição. Vestindo uma camisa florida aberta e aparentando calma, o ex-presidente consultou um médico, deixou-se filmar e fez apenas uma declaração: "Desejo que pare a guerra para entrarmos na parte civil da crise. Espero que concluamos rapidamente (as negociações) para que o país retome a normalidade."

Com o presidente deposto, foram presos ainda sua mulher, Simone, um filho, conselheiros e alguns integrantes de sua guarda pessoal. Por ordem de Ouattara, Gbagbo recebeu proteção especial. Pelo acordo firmado entre o novo governo, a ONU e a França, o ex-presidente deve ter seus direitos preservados e ser levado aos tribunais para responder por seus crimes. Gbagbo teria pedido proteção internacional, segundo informou a ONU.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.