Prisão de líder representa golpe para rebeldes tâmeis

Detenção foi também uma importante vitória de relações públicas para o presidente do Sri Lanka

AE-AP,

07 de agosto de 2009 | 18h50

A prisão do novo líder do Tigres de Liberação do Tamil Eelam (LTTE) foi um grande golpe para os esforços dos rebeldes de se reagruparem e manter sua luta separatista, depois de terem sido derrotados pelas forças do Sri Lanka, disse o governo nesta sexta-feira. Foi também uma importante vitória de relações públicas para o presidente Mahinda Rajapaksa antes das eleições de sábado em duas cidades do norte do país, que ele considera as primeiras sementes da democracia ao longo da ex zona de guerra.

 

Autoridades cingalesas interrogavam, nesta sexta-feira, Selvarasa Pathmanathan, o ex contrabandista de armas do LTTE e o novo chefe do grupo. Pathmanathan foi detido no sudeste da Ásia e levado de avião para o Sri Lanka.

 

"O fato de ele estar livre criou uma dúvida nas mentes das pessoas de que o LTTE estava vivo e atuante", disse o porta-voz da Defesa do Sri Lanka, Keheliya Rambukwella. "Sua prisão mostra que somos capazes de deter qualquer florescimento futuro do LTTE".

 

Pathmanathan, conhecido pelo nome de guerra KP, estava trabalhando para transformar o que sobrou do violento grupo insurgente num movimento de libertação pacífico depois de o governo ter derrotado os rebeldes em maio e ter matado seu respeitado líder, Velupillai Prabhakaran.

 

Os rebeldes, que lutaram pela criação de um país separado para a minoria tâmil por mais de 25 anos, controlavam um país paralelo em partes do norte do Sri Lanka que Prabhakaran controlava como uma ditadura.

 

No sábado, o governo vai realizar eleições nas cidades de Vavuniya e Jaffna, que ficam nas proximidades do território antes controlado pelos rebeldes.

 

Rajapaksa saudou as eleições como o primeiro passo na condução da democracia na área. Mas o governo é criticado por recusar-se a permitir que meios de comunicação estrangeiros façam a cobertura das eleições nas cidades, que estão fechadas para Estrangeiros.

 

O grupo Repórteres Sem Fronteiras disse que a decisão de impedir a cobertura da mídia "frustra qualquer esperança de eleições transparentes".

 

Grupos paramilitares armados são forte presença nas duas cidades e os moradores parecem não se importarem com a votação, ou temem sua realização, depois de mais de um quarto de século de guerra.

 

Uma pesquisa feita no mês passado pelo Centro de Políticas Alternativas, um grupo de políticas públicas, mostrou que 67% dos eleitores em Jaffna ainda estavam indecisos ou recusavam-se a dizer em quem votariam.

 

Cerca de 300 mil civis tâmeis que fugiram da zona de guerra durante os meses finais dos confrontos ainda permanecem em campos de refugiados nas proximidades das duas cidades.

 

O governo também realiza um eleição na província de Uva e deve se aproveitar da prisão de Pathmanathan.

 

As circunstâncias da captura do obscuro contrabandista de armas, procurado pela Interpol, continuava em discussão nesta sexta-feira.

 

Os Tigres Tâmeis disseram em comunicado que Pathmanathan foi detido na quarta-feira perto de um hotel em Kuala Lumpur, Malásia. Um site pró rebeldes disse que Pathmanathan havia ido ao hotel para encontrar-se com parentes do líder morto do grupo Balasingham Nadesan. Ele deixou o quarto para atender a uma chamada telefônica mas não retornou, diz o site.

 

O primeiro-ministro da Malásia, Najib Razak, disse a jornalistas que não podia confirmar nem negar os relatos. "Eu não tenho informações sobre os fatos. Deixe-me descobrir primeiro", disse ele.

 

Um jornal do Sri Lanka, citando fontes não identificadas, informou que Pathmanathan havia sido capturado na Tailândia. O porta-voz do governo tailandês, Panitan Wattanayagorn negou a informação, embora reconheça "relatos de que ele esteve viajando pela Tailândia". Outro funcionário tailandês disse que ele foi preso em Cingapura.

 

Rambukwella negou-se a fornecer detalhes da captura, dizendo que "ele foi detido na região asiática" e que estava sendo interrogado no Sri Lanka.

 

Pathmanathan, que acredita-se tinha sua base do sudeste da Ásia, era o arquiteto de uma grande rede internacional de contrabando que, segundo o jornal de inteligência militar Jane's Intelligence Review, resultou em ganhos de até US$ 300 milhões para os rebeldes. Funcionários do governo do Sri Lanka disseram que Pathmanathan viajava com dezenas de passaportes.

 

Logo depois da derrota dos rebeldes, Pathmanathan declarou-se o novo líder do grupo, desistiu da violência e trabalhou para transformar o grupo, evitado internacionalmente, de uma organização terrorista num movimento democrático pela criação de um Estado tâmil. As informações são da Associated Press.

Tudo o que sabemos sobre:
Sri Lanka

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.