Prisão de Menem é revogada

A Justiça argentina decidiu hoje revogar a ordem de prisão preventiva do ex-presidente Carlos Menem e de seu ex-cunhado, Emir Yoma. A decisão do Tribunal Federal de Justiça foi uma consequência da sentença proferida pela Suprema Corte de Justiça do país, na manhã de hoje, na qual torna sem efeito a acusação penal de ?associação ilícita? no caso do tráfico de armas para o Equador e a Croácia, durante o governo de Carlos Menem. A sentença da Suprema Corte de Justiça recebeu seis votos a favor, dois contras e uma abstenção. A partir desta decisão, os advogados de Menem entraram com recurso para sua liberação O ex-presidente já poderá abandonar a luxuosa mansão que o acolheu em seus quase seis meses de prisão preventiva domiciliar. Ele estava em prisão domiciliar desde o dia 7 de junho deste ano, acusado de ter sido o chefe de uma organização mafiosa que teria realizado o contrabando de 6.575 toneladas de armas para o Equador e a Croácia entre 1991 e 1995. Este processo esteve em um lento andamento desde 1996, mas somente foi desengavetado a meados deste ano, quando o cerco judicial sobre "El Turco", como é chamado popularmente, fechou-se com a prisão de Emir Yoma. Este era seu polêmico ex-cunhado, além de antigo braço-direito, acusado de dezenas de escândalos de corrupção. Com este vínculo, somado a diversos depoimentos que indicavam que Menem sabia dos contrabandos e que além disso, também os teria ordenado, o juiz federal Jorge Urso ordenou em junho a prisão do ex-presidente, por considerá-lo como o chefe de uma organização mafiosa que havia realizado a venda ilegal. A Corte Suprema - com uma maioria de juízes colocados pelo próprio Menem - determinou que não existem provas que indiquem que Emir Yoma tenha participado de uma "associação ilícita" que realizou o contrabando de armas. A Corte Suprema emitiu um duro comunicado, criticando os juízes federais que causaram a prisão de Yoma e de Menem. O presidente da Corte, Julio Nazareno, foi sócio de Menem em um escritório de advocacia anos atrás. Além disso, em uma ocasião, outro dos juízes, Adolfo Vázquez, declarou em uma entrevista ser amigo de Menem. Desde o 7 de junho, "El Turco" passou seus dias em uma chácara na cidade de Don Torcuato, na Grande Buenos Aires. Em uma enorme mas sombria casa, na companhia de sua esposa, a ex-miss Universo Cecilia Bolocco, o ex-presidente amargou uma entediante prisão, animada somente pela leitura de biografias de heróis da História Universal e ocasionais visitas de lideranças políticas. Depois da notícia da libertação dele, dezenas de políticos e sindicalistas foram até a chácara, para comemorar junto com Menem. Bolocco aproveitou a ocasião para anunciar que seu septuagenário marido disputará a presidência da Argentina no ano 2003.

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