Prisão de Strauss-Kahn amplia chance da extrema direita na eleição francesa

Primeira pesquisa mostra que Partido Socialista corre risco de perder vaga do segundo turno

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / PARIS

O escândalo sexual que resultou na prisão do diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, não acabou com as chances do Partido Socialista (PS) nas eleições de 2012 na França, mas elevou o risco de que a candidata da extrema direita, Marine Le Pen, chegue ao segundo turno. Outro que sai fortalecido é o atual presidente, Nicolas Sarkozy, em busca de reeleição.

As constatações são das primeiras pesquisas de opinião após a detenção de Strauss-Kahn, acusado de tentativa de estupro contra a camareira de um hotel em Nova York. Um dos pontos mais importantes da sondagem diz respeito à impressão da opinião pública a respeito das chances de vitória do PS em 2012.

Para 54% dos franceses, o partido ainda tem nomes suficientemente fortes para conquistar o Palácio do Eliseu dentro de um ano, enquanto 36% creem que os socialistas não têm chances.

Quem tira proveito mais imediato da saída de cena de Strauss-Kahn, cada vez mais considerado carta fora do baralho na disputa à presidência, é o ex-secretário-geral do PS, François Hollande, pré-candidato declarado. É ele o novo líder das intenções de voto para as primárias do partido, com 33% das intenções de voto. Em segundo lugar aparece a atual secretária-geral, Martine Aubry, com 23%, seguida da ex-deputada e candidata à presidência em 2007, Ségolène Royal, com 20%.

O problema é que nenhum dos três nomes tem a mesma base eleitoral que Strauss-Kahn tinha, com seu bom trânsito na direita moderada, no centro e na esquerda.

Nas últimas pesquisas antes do escândalo, o diretor-gerente do FMI tinha 26% da preferência do eleitorado, bem à frente dos rivais. Agora, Hollande teria 23% dos votos, seguido de Sarkozy, com 22% e de Marine Le Pen, com 20%. Na hipótese de Martine Aubry ser a escolhida, a candidata do PS teria 23% de votos, como Sarkozy. A candidata extremista da Frente Nacional chegaria em terceiro, com 19%.

O risco aumentará caso Ségolène Royal for a escolhida. Nesse cenário, Sarkozy teria 23% das intenções, Marine Le Pen 20%. Já o PS seria eliminado, com 18%.

As simulações mostram que a possibilidade de que a extrema-direita chegue ao segundo turno das eleições é mais concreta sem Strauss-Kahn. Nesse sentido, a prisão abre mais espaço para a reprise da "tragédia" de 21 de abril de 2002, quando o candidato do PS, Lionel Jospin, acabou eliminado do segundo turno por Jacques Chirac - depois reeleito - e por Jean-Marie Le Pen, pai de Marine.

Ironicamente, a fixação de eleições primárias para a escolha do candidato do PS acabou evitando que Strauss-Kahn fosse o único na disputa, o que teria consequências ainda mais graves para o partido. "Os socialistas deveriam estar aliviados de ter adotado o procedimento das prévias", entende o cientista político Gérard Grunberg, do Instituto de Estudos Políticos (Sciences Po), de Paris.

Gravidez de Carla

Pesquisas que indicam crescimento da extrema direita na França foram feitas antes de o pai do presidente Nicolas Sarkozy anunciar que Carla Bruni está grávida

PONTOS-CHAVE

Francesa

A francesa Tristane Banon, hoje com 31 anos, diz que foi agarrada por Strauss-Kahn em 2007 durante uma entrevista. Ele teria tentado abrir à força o sutiã e a calça da jornalista

Australiana

Citada pelo "Times" londrino, a vítima - uma jornalista australiana que pediu anonimato - diz que foi perseguida por anos pelo francês. Ele a teria conhecido em uma entrevista coletiva

Ucraniana

A ucraniana Piroska Nagy, funcionária do FMI, teve em 2008 um caso com o líder francês. Ela afirma que se sentiu coagida a fazer sexo com o chefe. "Ele não pode ter mulheres sob seu comando"

Guineana

Camareira nascida na Guiné e residente nos EUA, cuja identidade não foi revelada, teria sido atacada pelo chefe do FMI na suíte do Hotel Sofitel de Manhattan. O caso levou à prisão do francês

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