Prisão de Strauss-Kahn já suscita debate político

A França acordou hoje surpresa, e um tanto cautelosa, com a notícia de que o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional(FMI) e possível candidato à Presidência do país, Dominique Strauss-Kahn, foi preso em Nova York acusado de agressão sexual contra uma funcionária de um hotel. Strauss-Kahn foi retirado de um avião momentos antes de decolar, informou a polícia.

AE, Agência Estado

15 de maio de 2011 | 09h10

Comentaristas questionaram online se o incidente poderia ser parte de uma campanha do presidente Nicolas Sarkozy, cuja situação política é complicada, contra seu principal rival nas eleições presidenciais do próximo ano. O incidente pode alterar completamente a disputa pela Presidência, deixando os Socialistas confusos na decisão sobre quem eles poderiam apresentar como desafiante de Sarkozy.

Strauss-Kahn, de 62 anos, aguardava a denúncia por acusações de ato sexual criminoso e tentativa de estupro. Ele foi retirado do voo da Air France que ia para Paris enquanto o avião ainda se encontrava no Aeroporto Internacional John F. Kennedy ontem à tarde. A ação foi realizada por funcionários da Autoridade Portuária de Nova York e Nova Jersey, e ele foi entregue à polícia de Nova York, explicou Paul J. Browne, porta-voz do Departamento de Polícia da cidade.

O advogado do dirigente do FMI, Benjamin Brafman, não respondeu imediatamente a mensagens telefônicas nem emails da Associated Press. "Ainda não pudemos nos reunir com nosso cliente e poderemos ter algo mais a dizer amanhã", disse Brafman ao New York Times no sábado à noite.

"É uma cruz que será difícil para ele carregar", disse à televisão Dominique Paille, rival político de Strauss-Kahn na centro-esquerda. "É totalmente alucinante. Se for verdade, será um momento histórico, mas no sentido negativo para a vida política francesa", completou Paille, que entretanto pediu: "Espero que todos respeitem a presunção de inocência."

Relato - A mulher de 32 anos disse às autoridades que ele a atacou quanto ela entrou na suíte de Strauss-Kahn no hotel Sofitel por volta das 13h de sábado, disse Browne. Ela disse que recebeu a ordem de limpar a suíte, cuja estadia custa US$ 3.000 por noite e estaria vazia.

Segundo o relato dado pela mulher à polícia, Strauss-Kahn saiu nu do banheiro, a perseguiu por um corredor e a jogou em um quarto, onde começou a atacá-la sexualmente. Ela disse que lutou contra ele, mas então ele a arrastou para o banheiro, onde a forçou a fazer sexo oral e tentou tirar suas roupas íntimas. A mulher conseguiu escapar de novo e saiu do quarto, relatando aos funcionários do hotel o que aconteceu, informaram as autoridades. Os funcionários chamaram a polícia.

Quando detetives chegaram pouco depois, Strauss-Kahn já tinha saído do hotel, deixando para trás seu celular. "Parece que ele saiu de lá com pressa", disse Browne.

A polícia de Nova York descobriu que ele estava no aeroporto e entrou em contato com a Autoridade Portuária, que retirou Strauss-Kahn da primeira classe do avião da Air France.

A funcionária do hotel foi levada pela polícia ao hospital e recebia tratamento para ferimentos leves. John Sheehan, porta-voz do hotel, disse que seus funcionários estavam cooperando com a investigação.

Strauss-Kahn, que é casado e tem quatro filhos, foi investigado em 2008 sobre um suposto relacionamento impróprio com uma funcionária. O conselho do FMI considerou suas ações "lamentáveis" e disse que elas "refletiam um sério erro de julgamento."

Willaim Murray, porta-voz do FMI em Washington, disse que a entidade não iria comentar imediatamente o caso. Não foi possível falar com os escritórios de Strauss-Kahn em Paris quando a notícia surgiu durante a noite na França. Um de seus aliados, Jean-Marie Le Guen, demonstrou dúvidas em relação ao ocorrido.

"Os fatos como foram relatados hoje não têm nada a ver com o Dominique Strauss-Kahn que conhecemos", disse Le Guen à televisão. "Dominique Strauss-Kahn jamais foi violento com pessoa próximas a ele, com ninguém."

Strauss-Kahn deveria se reunir em Berlim no domingo com a chanceler alemã Angela Merkel para discutir a ajuda à Grécia, e então se reuniria com ministros das finanças da União Europeia em Bruxelas na segunda e terça-feira. O FMI é responsável por um terço do atual pacote de empréstimo à Grécia, e a sua presença nessas reuniões destacava a gravidade da crise grega. As informações são da Associated Press.

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