Prisão do Arizona teria apoiado lei de imigração

Segundo rádio, centro de detenção privado buscava investidores para construir presídios de olho nos ilegais

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2010 | 00h00

A polêmica lei anti-imigração do Arizona pode ter contado com o apoio financeiro de prisões privadas interessadas em conseguir mais detentos para suas celas. A afirmação foi divulgada pela National Public Radio (NPR), um dos mais conceituados órgãos de imprensa dos EUA.

Segundo a NPR, proprietários destas prisões, bem antes de a legislação ter sido aprovada no Estado, já buscavam investidores para erguer novas instalações. Havia até mesmo a ideia de construir uma prisão apenas para mulheres e crianças. Eles sabiam, já naquele momento, que poderiam lotá-las de ilegais.

A lei do Arizona prevê que todas as pessoas que não apresentarem documentos provando ter entrado legalmente nos EUA serão presas. Órgãos de defesa dos direitos humanos e o governo de Barack Obama criticam a medida, que está sendo agora analisada pela Justiça.

A afirmação da NPR tem como base centenas de documentos de doação de campanha que indicam uma relação entre os donos das prisões e políticos que aprovaram a lei. Em alguns Estados dos EUA, como no Arizona, existem prisões administradas pela iniciativa privada, mas bancadas com dinheiro público.

De acordo com os documentos, a empresa Corrections Corporation of America, que administra prisões privadas, vê na imigração ilegal um vasto mercado para seus negócios e decidiu investir em lobby para aprovar as leis.

Em resposta à acusação feita pela NPR, a empresa negou as acusações e afirmou "não ter feito lobby" para a lei da imigração. Na reportagem, o senador Russell Pearce, responsável pela elaboração da lei, disse que seu objetivo não era ajudar as prisões, mas sim proteger as fronteiras americanas.

O Arizona, na divisa com o México, é um dos Estados americanos com o mais elevado índice de imigração ilegal. Os defensores da lei dizem que a situação ficou insustentável. Para os críticos, além de violar a Constituição, a legislação é racista, pois o foco dos policiais certamente são as pessoas com aparência hispânica.

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