Prisioneiros da Al-Qaeda e do Taleban promovem motim em prisão afegã

Prisioneiros ligados ao movimento Taleban e à rede Al-Qaeda tomaram no sábado à noite o controle da maior parte da prisão de segurança máxima de Policharki - o maior presídio do Afeganistão, na periferia da capital, Cabul, abrigando mais de 2 mil presos, na grande maioria criminosos comuns. De acordo com fontes na polícia, 7 prisioneiros morreram durante o motim e pelo menos outras 30 pessoas, entre presos e policiais, ficaram feridos. As autoridades iniciaram conversações com os líderes da revolta, ao mesmo tempo em que posicionaram em torno do edifício centenas de soldados afegãos com lançadores de granadas e o apoio de tanques.Forças de paz da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e tropas americanas também estavam no local. "Não há jeito de escaparem", disse o vice-ministro da Mustiça, Mohamed Qassim Hashimzai. O general Ezmarai Khan, comandante de uma força afegão antimotim, disse que os presos exigiam falar com representantes da Cruz Vermelha e de entidades de defesa dos direitos humanos, mas depois que eles chegaram ao local, se recusaram a conversar com eles. "Eles mudam de exigências a toda hora. Parece que estão divididos", afirmou Khan. As reivindicações incluem melhoria das condições carcerárias e "mais justiça".A revolta começou quando militantes do Taleban e da Al-Qaeda tomaram duas carcereiras como reféns durante uma tentativa de implementar uma ordem que obriga os prisioneiros a usar uniformes, disseram funcionários. O objetivo da direção de Policharki é evitar que presos consigam fugir se misturando a visitantes, como aconteceu em janeiro, quando sete talebans escaparam.Eles teriam usado apenas armas improvisadas, como bastões feitos com partes de camas. "A situação ficou fora de controle. Começaram confrontos entre presos, incluindo muitos taleban", disse um funcionário da segurança de Policharki. Hashimzai estimou que dos 2 mil prisioneiros, cerca de 350 são afegão ligados ao Taleban ou militantes da Al-Qaeda vindos de vários países.De algumas janelas se via fogo e fumaça provocado pelo incêndio de colchões.Os rebelados tomaram o controle de vários blocos, incluindo os da ala feminina, onde estavam cerca de 70 presas reféns. Hashimzai disse que as tentativas de negociar a libertação das mulheres não foram bem-sucedidas. Num motim anterior, em dezembro de 2004, quatro policiais e quatro presos morreram.Autoridades afegãs disseram que até o fim do ano cerca de 100 afegãos suspeitos de envolvimento em terrorismo, e atualmente presos na base naval americana de Guantánamo, na Ilha de Cuba, serão transferidos para Policharki até o fim do ano.

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