Prisioneiros dizem ter ''orgulho'' do 11/9

Divulgada por Pentágono, carta de réus de Guantánamo causa indignação

AP e Reuters, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

11 de março de 2009 | 00h00

Cinco prisioneiros da base de Guantánamo acusados de terem participado dos atentados de 11 de setembro de 2001 zombam de autoridades americanas e se proclamam "terroristas até a medula" num polêmico documento divulgado ontem pelo Pentágono. O documento teria sido entregue para o tribunal militar no qual os cinco estão sendo julgados. Nele, os prisioneiros tentam justificar sua participação no atentado, que deixou quase 3.000 mortos. "(Essas acusações) são medalhas de honra que exibimos com orgulho. Somos terroristas até a medula - e damos graças a Deus por isso", diz o texto. "Foi o aparato de inteligência de vocês, com toda sua habilidade, quem falhou em descobrir nosso plano de ataque antes do abençoado 11 de Setembro. Por que vocês nos culpam?", completa. Segundo a argumentação apresentada na carta, os ataques às Torres Gêmeas, em Nova York, e ao Pentágono foram uma resposta natural às políticas americanas no Oriente Médio. "Lutamos para defender os muçulmanos, a sua terra, seus lugares sagrados e o Oriente Médio como um todo", diz. Os advogados dos prisioneiros Ramzi Binalshibh e Mustafa al-Hawsawi, porém, se opuseram à divulgação do documento. Eles também contestaram a autenticidade da carta, dizendo não saber em que circunstância os cinco prisioneiros foram obrigados a assiná-la. Os cinco já haviam dito que pretendem declarar-se culpados das acusações e Khalid Sheikh Mohammed, que afirma ser o mentor do 11 de Setembro, admitiu sentir "orgulho" pelo ataque. Seu julgamento, porém, foi suspenso em janeiro pelo governo do presidente americano Barack Obama, que está analisando formas menos controvertidas do que a Justiça militar para processar acusados de terrorismo. Obama também anunciou o fechamento de Guantánamo. Por isso, se os cinco forem condenados, provavelmente serão levados para outro centro de detenção - onde estarão sob outro sistema legal.

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