RICK WILKING/Reuters
RICK WILKING/Reuters

Prisioneiros se passam por mulheres na web e chantageiam militares

Cinco detentos na Carolina do Sul foram acusados de enviar fotos e trocar mensagens com membros das forças armadas e depois exigirem pagamentos por suposta pedofilia; ao menos 442 pessoas foram vítimas do esquema

O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2018 | 14h46

WASHINGTON - Cinco detentos da Carolina do Sul foram acusados de criar uma elaborada rede de extorsão, na qual chantagearam membros do Exército ao se apresentarem como jovens mulheres. Eles receberam mais de meio milhão de dólares, informaram autoridades americanas.

Os prisioneiros, que foram indiciados este mês, usaram smartphones contrabandeados para a prisão para criar perfis em redes sociais e sites de namoro para atrair membros das Forças Armadas, disse Sherri Lydon, procuradora distrital da Carolina do Sul. Dez outras pessoas foram acusadas de ajudar os presos a obter o dinheiro que exigiam dos militares, de acordo com documentos judiciais.

Os presos trocaram fotos de nudez com militares usando imagens encontradas na internet, disse Sherri. Depois, eles fingiam ser o pai ou outro responsável pela garota e diziam ao militar que sua filha fictícia era menor de idade, disse a procuradora. Os presos então exigiram o dinheiro e diziam que se militar não pagasse, alertariam seus superiores para a troca de mensagens eróticas por celular.

"Os militares pagavam com medo de perderem suas carreiras por possuírem o que eles acreditavam ser pornografia infantil", disse Drew Goodridge, agente especial do Serviço de Investigação Criminal Naval (NCIS, em inglês). Essa agência investigava o esquema desde o início de 2017 como parte da Operação Festa Surpresa.

Ao todo, o esquema de extorsão afetou 442 membros das forças armadas que pagaram mais de US$ 560 mil, segundo uma nota divulgada pelo NCIS. Caíram no golpe membros de Exército, Marinha, Força Aérea e Corpo de Fuzileiros Navais.

O NCIS informou também que outras 250 pessoas, incluindo civis e outros presos, estão sob investigação por supostas conexões com o esquema. Os cinco detentos acusados de criar o golpe responderão por várias acusações federais, incluindo fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e extorsão. 

Para receber os valores, eles usaram uma rede de contas bancárias, serviços de transferência de dinheiro, serviços de pagamento online e cartões de débito e crédito pré-pagos, disse Matthew Lyon, investigador do Internal Revenue Service (IRS, a Receita Federal dos EUA).

Ele culpou, em parte, o "uso irrestrito" de telefones celulares ilegais nas cadeias pelo sucesso da operação. "Não podemos prender criminosos e permitir que eles continuem com sua conduta ilegal dentro dos presídios", disse ela.

Em um caso específico, um preso, Wendell Wilkins, usou um smartphone contrabandeado para dentro da prisão para enviar fotos menores de idade nuas para militares em vários lugares dos EUA, segundo o indiciamento. 

Depois, ele ligou para os militares fingindo ser o pai da jovem e exigindo dinheiro para pagar as contas médicas e de acompanhamento psicológico que sua filha menor precisaria para tratar o trauma causado pelas mensagens sexuais explícitas, de acordo com a acusação.

Usando o PayPal, MoneyGram e outros serviços, Wilkins fez com que o dinheiro fosse enviado para pessoas fora da prisão, que ficaria com uma parte e colocariam o restante em um cartão de débito pré-pago que ele pudesse acessar. O governo diz que o detento obteve pelo menos US$ 80.000 usando essa estratégia.

Alguns dos presos também pediram a outras pessoas na prisão para ligares para os militares e se apresentarem como policiais, de acordo com a acusação. Eles ameaçariam prender os membros das forças armadas se não enviassem uma cota adicional de dinheiro.

Não ficou claro se os presos já constituíram suas defesas para essas acusações. A Procuradoria dos EUA ainda não comentou o caso.

Goodridge, do NCIS, disse que militares de vários níveis hierárquicos foram alvo do esquema. Ele também afirmou ser provável que outros membros das forças armadas que ainda não foram identificados tenham caído no esquema.

Jeff Houston, porta-voz do serviço de investigação naval, disse que nenhuma ação disciplinar seria tomada contra os militares porque eles não cometeram nenhum crime. / NYT

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