Prisões e trotes sobre antraz aumentam nos EUA

A sala de reunião de veteranos na cidade de Springfield, Louisiana, dificilmente pode ser vista como um local do qual terroristas saibam da existência, muito menos tem jeito de alvo potencial. Até mesmo as autoridades que chegaram ao lugar para examinar uma carta que continha um pó misterioso acreditavam tratar-se de um trote. E tiveram confirmação: era mesmo um trote. "Obviamente, há pessoas doentes entre nós que acham engraçado e esperam que a gente vá até o fim", diz o tenente Mike Edmonson, da polícia local. Trotes similares envolvendo antraz foram definidos ontem como "uma questão com a qual não se deve brincar" pelo secretário de Justiça dos Estados Unidos, John Ashcroft. Ainda segundo ele, aqueles que causarem medo na população serão agressivamente perseguidos. Falsas ameaças de ataques de antraz são "transgressões grosseiras da confiança do público" e desviam o foco de um sistema de cumprimento da lei que já está excessivamente atribulado, disse o secretário. Desde 1º de outubro, a maior parte das 2.300 denúncias de substâncias suspeitas de serem antraz foi falsa ou tratava-se de trote deliberado, disse o diretor do FBI, Robert Mueller. Mas prisões foram reportadas em diversos Estados. As autoridades locais lembram que trata-se de crime federal a ameaça de uso de agentes biológicos ou tóxicos. Ashcroft sublinhou o caso de Joseph A. Faryniarz, de 48 anos, funcionário da agência ambiental de Connecticut. Em 11 de outubro, Faryniarz disse aos guardas da agência que encontrou um pó numa toalha de papel debaixo de alguns documentos perto de seu computador. No pedaço de papel estava escrito "ANTHAX", de acordo com o boletim de ocorrência. Todos os 800 funcionários da agência foram retirados do local e 12 pessoas foram obrigadas a serem lavadas com uma solução química para descontaminação. Prejuízos A substância era um creme em pó para café. Os dois dias nos quais o prédio ficou sem funcionar custaram US$ 1,5 milhão aos contribuintes, disse Ashcroft. Faryniarz disse ao FBI que ficou sabendo tratar-se de um trote antes mesmo de os guardas chegarem, pois outra pessoa assumiu a responsabilidade. Faryniarz foi acusado de dar falsas declarações ao FBI, mas não foi acusado pela autoria do trote. A sentença máxima no caso de condenação será de cinco anos de prisão e multa de mais US$ 3 milhões. Nem Faryniarz nem seus advogados foram encontrados para comentar o assunto.

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