Ali Khara/REUTERS
Ali Khara/REUTERS

Privar as mulheres de trabalhar agravará crise econômica no Afeganistão, diz ONU

Pnud calcula que, sem o emprego feminino, o PIB do Afeganistão registrará contração de 3% a 5%, o que equivale a uma redução entre US$ 600 milhões e US$ 1 bilhão

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2021 | 22h29

CABUL - Proibir as mulheres de trabalhar agravará ainda mais a “catastrófica” crise econômica do Afeganistão, após a retirada das forças ocidentais e o retorno do Taleban ao poder, afirma a ONU em relatório divulgado ontem. A crise econômica e humanitária afegã “se agrava e é necessário responder para salvar as vidas ameaçadas pela pobreza e fome”, diz o Programa da ONU para o Desenvolvimento (Pnud) no documento Perspectivas Socioeconômicas do Afeganistão 2021-2022.

Com a mudança de governo, a economia do país mais pobre da Ásia, minada pela guerra e pela seca, perdeu seu principal recurso, a ajuda internacional, que representava 40% do PIB e financiava 80% de seu orçamento. O Pnud destaca as consequências das restrições impostas ao trabalho das mulheres pelo Taleban, que autorizou apenas a retomada das atividades de uma parte das funcionárias dedicadas à educação e à saúde.

“O trabalho das mulheres constitui 20% do emprego total e é vital para atenuar a catástrofe econômica no Afeganistão”, declarou a diretora do Pnud na Ásia, Kanni Wignaraja. O programa da ONU calcula que, sem o emprego feminino, o PIB do Afeganistão registrará contração de 3% a 5%, o que equivale a uma redução entre US$ 600 milhões e US$ 1 bilhão. “O dano dependerá da magnitude das limitações impostas”, disse Wignaraja.

Inflação

A proibição também tem consequências indiretas: se as mulheres não trabalham, não recebem salário e não podem consumir, o que pode representar quase US$ 500 milhões de perdas anuais, calcula o Pnud.

Maryam, de 52 anos, perdeu seu trabalho após a volta do Taleban ao poder e não sabe como alimentar sua família, já que o marido está doente. Em um mercado em Cabul, ela nota que os preços dos produtos duplicaram ou triplicaram. “Em termos de necessidades da população e debilidade institucional, nunca vimos nada igual, nem na Venezuela, Síria ou Iêmen”, disse um funcionário da ONU. /AFP

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