Privilégio de Bogotá a laços com EUA dificulta relação com países vizinhos

Com as Farc enfraquecidas e desacreditadas por causa do impacto do drama dos reféns na opinião pública internacional, explicam os analistas, Bogotá provavelmente esperava algumas manifestações contrárias por parte do governo equatoriano, alguma chiadeira da Venezuela - e só. A censura, porém, veio de todas as partes: Brasil, Chile, Itália e França. "É surpreendente que muitos países se manifestaram sobre o que foi considerada uma invasão do território colombiano, mas até agora poucos falaram sobre as acusações de que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, e o equatoriano, Rafael Correa, estavam dando apoio logístico e financeiro para a guerrilha colombiana", diz Alfredo Rangel, diretor da Fundação Segurança e Democracia. No caso, a falta de empatia com o problema do conflito colombiano e as milhares de vítimas da guerrilha, segundo Diana Rojas, do Instituto de Estudos Políticos e Relações Internacionais da Universidade Nacional da Colômbia são conseqüência da pouca atenção que Uribe vem dedicando a outros países além de seu parceiro estratégico - os EUA. "Se ele tivesse buscado mais o apoio e a cooperação do Brasil e outros países vizinhos para resolver problemas colombianos que transcendem nossas fronteiras, como a guerrilha e o narcotráfico, talvez hoje obtivesse mais compreensão", afirma Rojas. "A aproximação com os EUA aumenta a hostilidade de outros países numa situação assim."Desde que chegou ao poder, em 2002, Uribe converteu a aliança com a Casa Branca o centro de sua política externa. Foram os mais de US$ 4 bilhões enviados pelos americanos para tocar o Plano Colômbia que o ajudaram a acuar a guerrilha - triunfo que elevou sua popularidade para 81%.Na economia, uma das grandes promessas era a de firmar um tratado de livre comércio com os EUA - plano que teve de ser adiado por causa do veto da oposição democrata, que desde 2006 domina o Congresso americano. Foi essa proximidade que fez com que os EUA fossem os únicos a apoiarem o presidente colombiano incondicionalmente após o ataque que matou o guerrilheiro Raúl Reyes no Equador. "Nossa mensagem para a Colômbia é: apoiamos nosso aliado democrático", afirmou Bush, que ontem telefonou para Uribe reiterando seu respaldo à Colômbia.Para Diana, o fato de a ação no Equador e do discurso do governo colombiano guardarem algumas semelhanças com as linhas gerais da agressiva política externa dos EUA em nada ajuda para que Bogotá obtenha apoio dos países vizinhos. "As denúncias de que as Farc estão comprando urânio também pareceram um pouco fora de contexto e lembraram as armas de destruição em massa do Iraque (que nunca foram encotradas, mas serviram de pretexto para que os EUA invadissem o país)", disse Rojas. CORREÇÃOPor erro de montagem, as frases publicadas na pág. A11, ontem, tiveram os créditos trocados. O correto é:Oscar NaranjoGeneral colombiano"Há cartas de Marulanda a Chávez nas quais ele promete colaboração em qualquer sistema para preservar a revolução bolivariana"Rafael CorreaPresidente do Equador"Estamos acostumados às mentiras do governo colombiano. Então, para mim, não tem importância nada que eles digam"

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