Problema semelhante causou acidente no Golfo

Um erro semelhante à falha no revestimento do poço de Frade, operado pela Chevron, provocou o megavazamento no Golfo do México, operado pela BP.

IRANY TEREZA / RIO, O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2011 | 03h05

Descobriu-se lá que o revestimento do poço havia sido cimentado com pasta nitrogenada e não com a solução convencional. A etapa de cementação de poços de petróleo é um dos cuidados mais básicos da indústria petrolífera. Sem a proteção adequada, uma sapata (espécie de alicerce na estrutura do poço) teria sofrido fissura durante uma pressão excessiva.

Três diferentes fontes que acompanham o processo de investigação das causas e de mitigação das consequências do acidente, informaram que, ao que tudo indica, houve erro técnico por parte da Chevron.

O campo de Frade está em operação desde outubro de 2009, com dois poços produtores. Na atividade de petróleo, além dos poços que efetivamente extraem o óleo, são perfurados também poços injetores, para introduzir água, gás ou uma lama especial na jazida e empurrar o óleo para fora do reservatório. Foi num desses poços injetores que ocorreu o acidente.

Inicialmente, os dois poços produtores operavam em conjunto com um poço injetor de água. Como a produção teria diminuído - o que é comum após algum tempo de operação -, a Chevron perfurou um segundo poço injetor, mas sem cumprir à risca os cuidados com o revestimento. Só uma parte dele teria recebido a camada protetora.

Durante uma pressão elevada do reservatório, parte do óleo teria escapado para o poço injetor, que, sem o isolamento necessário, teria vazado o óleo pela fissura. Por esse buraco, o óleo passou para uma fenda geológica e contaminou o mar.

O poço está sendo cimentado e sairá de operação. A obstrução total levará mais de quatro dias, pois é feita em etapas em diferentes profundidades e cada cementação leva de 20 e 24 horas para secar completamente. Depois a vez de a fenda ser concretada.

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