Problemas com Caracas já afetam acordos comerciais 

A Colômbia entrou no mapa de prioridades do Brasil no campo econômico por seu grande potencial de crescimento

O Estado de S. Paulo

18 Agosto 2016 | 05h00

A tensão com a Venezuela se estende também ao campo econômico, justamente numa área que é prioridade do governo do presidente em exercício, Michel Temer: os acordos comerciais. Caracas está barrando um acordo de serviços entre o Mercosul e a Colômbia, um mercado de importância econômica crescente na região.

Esse acordo, que reduziria barreiras na venda de serviços, foi celebrado no âmbito da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi) e, por isso, depende da aprovação de todos os membros para ser implementado. “A Venezuela está bloqueando o acordo no âmbito da Aladi”, disse ontem o embaixador Julio Bitelli, durante sabatina a que foi submetido na Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado. Ele foi indicado para representar o Brasil em Bogotá.

Como forma de contornar essa situação, informou o embaixador, o governo brasileiro propôs a Argentina, Paraguai e Uruguai celebrar um acordo de igual teor diretamente com a Colômbia.

O problema da resistência venezuelana foi levantado na sabatina pelo senador Armando Monteiro (PTB-PE), que negociou o acordo com a Colômbia no período em que foi ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior no governo de Dilma Rousseff. Nesse período, foi fechado também um inédito acordo para venda de automóveis para o mercado colombiano.

A Colômbia entrou no mapa de prioridades do Brasil no campo econômico por seu grande potencial de crescimento, principalmente após concluído o processo de paz com as guerrilhas. Na sabatina, Bitelli disse que o entendimento com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) está em andamento, com a deposição de armas já acordada, mas remanescem duas grandes dúvidas: se a guerrilha poderá se transformar num partido político, como é seu desejo, e qual será o grau de anistia concedido aos crimes praticados pelos guerrilheiros. 

A Organização das Nações Unidas (ONU) vai acompanhar o processo de deposição de armas, segundo informou. Depois disso, o processo de paz será submetido a um referendo e precisará da aprovação de 13% dos eleitores para entrar em vigor.

O acordo com as Farc deverá servir de balizador para os entendimentos com outros grupos, como a ALN. O Brasil é um dos “garantes” das negociações do governo colombiano com esse grupo, mas os entendimentos estão parados porque uma das condições é a libertação de reféns - algo que a guerrilha resiste em fazer.

A indicação de Bitelli foi aprovada por unanimidade na CRE. Ela ainda precisa passar pelo plenário do Senado.

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