Processem Bush, não Bashir, diz Chávez em cúpula árabe

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse na terça-feira que promotores internacionais deveriam processar o ex-presidente dos EUA George W. Bush por crimes no Iraque em vez de perseguir o presidente do Sudão, Omar Hassan al-Bashir, a quem a Corte Criminal Internacional processou por crimes de guerra cometidos em Darfur.

REUTERS

31 de março de 2009 | 14h20

"O recente processo contra o presidente sudanês Bashir é um desses casos ridículos. É uma farsa", disse Chávez em uma cúpula de países árabes e sul-americanos no Catar.

"Então, por que a corte internacional não processa o presidente Bush, que cometeu atrocidades durante oito anos, por exemplo, e aniquilou o povo iraquiano?", acrescentou.

Bashir voou nesta semana para o Catar e recebeu um forte apoio da cúpula de líderes árabes contra o processo movido pela Corte Criminal Internacional por atrocidades cometidas na região de Darfur, oeste do Sudão.

Bush, que deixou o cargo em janeiro, ordenou a invasão liderada pelos EUA no Iraque em 2003, depondo o ex-líder do país Saddam Hussein. Dezenas de milhares de iraquianos morreram por causa da insurgência e da violência sectária desde então, e centenas de milhares deixaram suas casas.

Chávez fez os comentários em um pronunciamento no qual atacou Israel por sua incursão no território palestino de Gaza em janeiro e tentou ridicularizar o argumento israelense de que suas ofensivas militares contra os palestinos ocorrem como uma forma de autodefesa.

Ele saudou o presidente da Síria, Bashar al-Assad, e o líder da Líbia, Muammar Gaddafi, entre os poucos líderes que permaneceram no país após a Cúpula Árabe de segunda-feira para participar do segundo encontro, que reúne líderes árabes e sul-americanos.

Líderes de países como Arábia Saudita e Jordânia, que são geralmente alinhados aos Estados Unidos e apoiam a presença militar e política norte-americana na região, já deixaram Doha.

(Reportagem de Andrew Hammond)

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