Processo contra casal Kirchner pode ser arquivado

A Justiça da Argentina pode arquivar a causa que investiga o aumento, em um ano, de 158% do patrimônio da presidente Cristina Kirchner e de seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007). Os promotores responsáveis pelo processo, Eduardo Taiano e Guillermo Noailles, perderam o prazo legal para apresentar recurso de apelação à sentença de primeira instância que absolveu o casal da acusação de "enriquecimento ilícito". Os líderes dos partidos de oposição prometem agora processar os promotores públicos.

MARINA GUIMARÃES, Agencia Estado

28 de dezembro de 2009 | 20h07

Na última segunda-feira, o juiz federal Norberto Oyarbide decidiu absolver o casal presidencial, após a perícia técnica de contadores da Corte Suprema, equivalente ao Supremo Tribunal Federal. Os promotores tinham que ter apresentado o recurso até hoje, mas nenhuma ação foi interposta. Pela lei argentina, nesse caso, fica valendo a sentença de Oyarbide e a causa pode ser arquivada. A líder da opositora Coalizão Cívica, Elisa Carrió, afirmou hoje que vai apresentar uma ação pedindo o impeachment de Oyarbide. O juiz absolveu os Kirchner sem ampliar as investigações sobre as acusações.

O patrimônio dos Kirchner saltou de 17,8 milhões de pesos (US$ 4,6 milhões) em 2008 para 46 milhões de pesos (US$ 12 milhões) em 2009, conforme a declaração de renda do casal. Desde 2003, os Kirchner contabilizam um aumento de patrimônio de 572%, entre propriedades, depósitos bancários e ações em sociedades comerciais.

Caso da maleta

As suspeitas e acusações sobre atos de corrupção no governo dos Kirchner envolvem obras públicas e negócios ilícitos desde 2003, mas ganharam força em agosto de 2007, durante o episódio conhecido como o "caso da maleta".

O empresário venezuelano Guido Alejandro Antonini Wilson foi pego no aeroporto metropolitano de Buenos Aires na madrugada de 6 de agosto, tentando entrar no país com um maleta contendo US$ 800 mil, sem declarar às autoridades.

O dinheiro, segundo o próprio Wilson, era destinado à campanha de Cristina Kirchner, eleita em outubro daquele mesmo ano. O governo negou qualquer envolvimento com o empresário e desmentiu as versões de que ele foi visto em solenidade oficial na sede do Executivo, um dia após a apreensão da maleta.

No entanto, dois vídeos, um do canal oficial de TV e outro da Crônica TV mostram o contrário. No segundo vídeo, divulgado nesta segunda, igual ao primeiro, Wilson aparece entre o público presente no Salão Branco, da Casa Rosada, durante a assinatura de um convênio entre o então presidente Néstor Kirchner e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

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