Processo de cartas marcadas encobre privilégios do PC

Cenário: Cláudia Trevisan

O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2012 | 03h10

O julgamento de Gu Kailai foi coreografado em todos os detalhes por Pequim, que tenta conter os efeitos do maior escândalo político do país desde o massacre da Praça Tiananmen, em 1989, e convencer o público de que a lei chinesa não faz distinção entre poderosos e cidadãos comuns. A mulher de Bo Xilai, um dos principais líderes do Partido Comunista, já entrou condenada na corte de Hefei, capital da Província de Anhui, a mais de 1.000 quilômetros de Chongqing, onde ocorreu o assassinato do britânico Neil Heywood.

A narrativa oficial, porém, tem falhas importantes, como a motivação do crime. A versão divulgada pela agência de notícias Xinhua é a de que Gu envenenou Heywood por temer pela segurança de seu filho, Bo Guagua, que viveu muito tempo na Grã-Bretanha e acaba de concluir pós-graduação em Harvard. Pouco foi divulgado sobre a natureza da divergência. O roteiro preparado por Pequim omite o nome do carismático líder Bo Xilai e tenta encobrir o universo de privilégios e benefícios financeiros no qual vive a elite do PC, do qual Bo Guagua se tornou símbolo.

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