Processo de Correa contra jornal é adiado

Juiz falta a audiência e magistrados aprovados em referendo proposto pelo presidente devem assumir o caso contra o 'El Universo' por injúria

O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2012 | 03h01

A audiência final do inquérito no qual o presidente do Equador, Rafael Correa, processa três diretores e um ex-editor do jornal "El Universo" por injúria foi suspensa ontem, após um dos três juízes que julgam o caso ter se ausentado por motivos médicos.

Com isso, novos magistrados, nomeados após um referendo do Judiciário proposto por Correa em 2011, que assumem os cargos amanhã, cuidarão do julgamento.

Correa contestou o adiamento. A direção do El Universo disse estar surpresa com a suspensão da audiência. "O juiz (Luis) Pacheco teve pressão alta ou está sob alta pressão?", questionou Correa no Twitter. "Eles querem juízes que lhes sejam favoráveis."

O vice-diretor do jornal, César Pérez, disse ao Estado estar surpreso com a suspensão e rebateu as acusações de Correa. "O presidente insinua que nós queríamos mudar os juízes. Mas por que seríamos loucos de querer ser julgados pela corte dele?", indagou.

Correa pede uma multa de US$ 40 milhões e a prisão de César, outros dois diretores do El Universo - Carlos e Nicolás Pérez - e do ex-editor de opinião Emilio Palacio, em razão do artigo "Não à mentira", publicado em fevereiro e assinado por Palacio.

No texto, o presidente é chamado de ditador e acusado de ter ordenado que a polícia disparasse contra a população durante uma rebelião policial de 2010 - qualificada pelo governo de tentativa de golpe. Correa venceu o processo nas duas primeiras instâncias.

"Apesar de discordar do artigo de Palacio, eu o publicaria de novo", disse Pérez. "E se tiver de ser preso, irei, desde que garantam minha integridade física."

Ontem, o juiz Luis Queiroz, que preside o processo, defendeu um acordo entre as partes. Correa exige um pedido formal de desculpas do diário para retirar as acusações.

Os diretores do El Universo, em comunicado divulgado na segunda-feira, disseram que só atenderiam a essa exigência se o presidente desistir de processar jornalistas, facilitar o acesso de documentos públicos a repórteres e consultar a validade de sua lei de imprensa em organismos internacionais.

Correa, porém, diz que só aceita um pedido de desculpas se ele não estiver vinculado a nenhuma condição. / L.R., COM AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.