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Processo desgasta mais imagem de líder

Ação que deveria servir de propaganda para Chávez começa a virar pesadelo

Mariana Della Barba, Caracas, O Estadao de S.Paulo

31 de dezembro de 2007 | 00h00

O resgate de três reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), organizado por Hugo Chávez, deveria ter sido uma conquista para o líder venezuelano, ajudando-o a recuperar sua imagem na comunidade internacional. Mas o fracasso da operação acabou sendo um tiro no pé do governo de Caracas."O fracasso na libertação dos seqüestrados é muito negativo para Chávez, que montou toda uma parafernália publicitária, levou quatro helicópteros, chamou representantes internacionais e até (o cineasta americano) Oliver Stone para acompanhar o processo", disse ao Estado Herbert Koeneke, cientista político da Universidade Simón Bolívar. "Ele está fazendo de tudo para recuperar sua imagem após a derrota eleitoral do dia 2 (quando os venezuelanos rejeitaram sua proposta de reforma constitucional), mas com o fracasso, cai a máscara do líder preocupado e solidário com os seqüestrados e fica a do político narcisista que tem apenas uma grande ânsia de aparecer."A operação para resgatar a deputada Consuelo González de Perdomo (seqüestrada em 2001), Clara Rojas, assessora da ex-candidata à presidência do país Ingrid Betancourt (ambas capturadas em 2002), e seu filho Emmanuel, que nasceu no cativeiro há três anos, vinha sendo adiada desde quinta-feira, com a desculpa de que as Farc não passaram as coordenadas do local da entrega dos reféns."Isso é um tremendo prejuízo para a imagem de Chávez, que já está bastante deteriorada principalmente no exterior, depois que ele não conseguir levar as provas de vida de Ingrid para (o presidente francês) Sarkozy e do confronto com o (presidente colombiano) Álvaro Uribe", disse ao Estado o cientista político venezuelano Oscar Reyes, da Universidade Andrés Bello. "Seria mais uma promessa não cumprida da parte dele."Para Reyes, a negociação com as Farc deve ficar agora ainda mais difícil, já que a confiança nas promessas dos rebeldes foi abalada. "Essa não seria a primeira vez que as Farc não cumprem sua palavra. Outras vezes eles prometeram entregar cativos e isso não ocorreu.""E há cerca de 50 venezuelanos em poder dos guerrilheiros e Chávez não fez nada por eles, nem citou o caso deles, está mais preocupado com os seqüestrados da Colômbia, o que vem irritando bastante os venezuelanos", afirmou Reyes.

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