Processo eleitoral enfraquece oposição na Venezuela

Um certo enfado toma conta da oposição venezuelana às vésperas da eleição de domingo para renovar totalmente a Assembleia Nacional, a câmara única do Legislativo do país desde a entrada em vigor da Constituição de 1999. Embora os líderes da frente opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) esforcem-se para demonstrar entusiasmo, os militantes que entram e saem freneticamente da sede da campanha em Miranda, região contígua a Caracas, lamentam estar diante do rolo compressor político pilotado pelo presidente Hugo Chávez.

AE, Agência Estado

24 de setembro de 2010 | 11h27

"É como estar num jogo de futebol no qual o árbitro decide regras e critérios de acordo com a conveniência do time adversário", afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo Gabriel Valdéz, cabo eleitoral da MUD. "Resta-nos fazer o melhor possível, mostrar dignidade e perder de pouco." Valdéz refere-se, principalmente, às normas aprovadas no ano passado pela Assembleia - amplamente dominada pela bancada chavista -, que redesenhou os distritos eleitorais do país. Sob o pretexto de "aproximar o local de votação do domicílio do eleitor", circunscrições onde o chavismo foi mal nas últimas eleições foram divididas ou acabaram incorporadas a redutos governistas.

A mudança deve causar uma impressionante distorção eleitoral. Embora a oposição trabalhe com o cenário apresentado pelas últimas pesquisas, que indicam um equilíbrio de forças com os governistas em termos de votação nacional, sua aspiração mais realista é a de evitar que o chavista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) obtenha a maioria de dois terços dos 165 deputados da Assembleia.

A disputa desigual, porém, não se encerra na nova divisão de circunscrições. Durante a campanha, Chávez fez-se onipresente nas cadeias de rádio e TV obrigatórias, nas quais apresentava os candidatos do PSUV em meio a atos oficiais. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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