Processo eleitoral venezuelano entra na reta final

As autoridades eleitorais venezuelanas iniciaram hoje a instalação de 36.773 mesas de votação em todo o país, enquanto partidários do governo e opositores se preparam para o pleito legislativo do próximo domingo. A presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Tibisay Lucena, disse que "80% das mesas estão instalados". Ela mostrou confiança no desenrolar do processo e disse que o avanço conseguido até agora indica o êxito do pleito.

AE-AP, Agência Estado

24 de setembro de 2010 | 19h32

Cerca de 17,5 milhões de eleitores se inscreveram para participar das eleições legislativas que escolherão os 165 membros da Assembleia Nacional, atualmente controlada pela maioria chavista. O ministro da Defesa, general em chefe Carlos Mata Figueroa, afirmou que as Forças Armadas se encontram espalhadas pelos 12.562 centros de votação em todo o país para fazer a segurança durante o processo. Ele também assegurou que os militares "atuarão contundentemente" no caso de qualquer alteração de ordem pública.

Sobre a situação na fronteira, Mata Figueroa indicou que "se tivermos de fechá-la, ela será fechada", mas afirmou que a decisão final caberá ao presidente Hugo Chávez. O chefe do Comando Estratégico Operacional (CEO) das Forças Armadas, general Henry Rangel Silva, disse que, além do contingente de cerca de 250 mil militares que farão a segurança do pleito, foram incorporados cerca de 30 mil milicianos.

Rangel Silva informou que as autoridades tomaram precauções para evitar qualquer interrupção no serviço de eletricidade durante o pleito e afirmou que cerca de 6 mil soldados e dez helicópteros militares e do governo farão a segurança das 705 instalações elétricas em todo o país.

Observadores

A maior parte dos 150 "observadores internacionais" que foram convidados pelo CNE para inspecionar as eleições chegaram ontem ao país, informou Lucena. Os partidos políticos foram autorizados pelo órgão a levarem seus convidados estrangeiros, dentre os quais está o ex-presidente colombiano Andrés Pastrana.

Lucena disse que os convidados internacionais "devem ter respeito pela soberania nacional e cumprir nossa Constituição, nossas leis e atender ao acordo internacional que é o de não ingerência nos assuntos públicos e nos assuntos internos". "Ninguém nem nada vai nos coagir", afirmou o deputado Gustavo de Aristegui, do Partido Popular da Espanha, ao afirmar que "estamos profunda e completamente comprometidos com a liberdade e com a democracia em todas as partes do mundo, e que onde houver empecilhos, abusos ou falta de liberdades, nós denunciaremos".

Em fevereiro de 2009, o CNE expulsou do país o deputado espanhol do Parlamento europeu Luis Herrero, após ele questionar as autoridades eleitorais. O congressista europeu visitou a Venezuela para observar o referendo sobre a reforma da Constituição que permitiu a Chávez tentar a reeleição de forma ilimitada.

Oposição

Vicente Bello, coordenador técnico eleitoral do bloco opositor, disse hoje que a oposição terá 75 mil fiscais nas mesas de votação de todo o país para supervisionar o processo. Ele acrescentou que o bloco da "Mesa da Unidade Democrática" contará com fiscais em "toda a estrutura eleitoral que inclui a central de transferência de dados da estatal Companhia Anônima Nacional Telefones de Venezuela (CANTV) e no centro de totalização de votos do CNE".

Os venezuelanos vão escolher entre os mais de 300 candidatos os novos integrantes do Congresso, composta por uma única Câmara de Deputados. Governo e oposição participam do pleito com chapas únicas com 165 candidatos de cada lado. Várias organizações independentes pediram o registro de mais de uma centena de candidatos.

A Assembleia Nacional é atualmente dominada por aliados do governo. Nas últimas eleições legislativas, ocorridas em 2005, a oposição boicotou o pleito, sem apresentar candidatos e alegando irregularidades no processo, o que abriu o caminho para o governo controlar o Congresso.

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