Procura-se militar menos durão

Exército britânico quer mudar perfil de seus recrutas, atraindo novos integrantes da corporação com base em diversidade de gêneros, religiões e etnias

O Estado de S.Paulo

11 Janeiro 2018 | 05h00

“Posso ser gay no Exército?”, “posso praticar minha fé nas Forças Armadas?”, “tenho permissão para chorar?”, “preciso ser um super- herói?”. Estas são perguntas feitas em uma campanha publicitária do Exército do Reino Unido exibida nos últimos dias na TV. Os vídeos, narrados por verdadeiros soldados contando suas histórias, fazem parte de uma série de propagandas feitas para atrair recrutas de uma diversidade maior de gêneros, etnias e religiões.

A campanha, que custou £ 1,6 milhão, é uma tentativa de reverter o esvaziamento constante das Forças Armadas nos últimos dez anos, provocado pelas mudanças demográficas no Reino Unido e pela alta taxa de empregos em outros setores. 

O tom da campanha, no entanto, provocou críticas no Reino Unido, de todos os espectros políticos. O Exército foi acusado de tentar enganar recrutas, sugerindo que oferece ajuda para pessoas com problemas emocionais. Reem Abu-Hayyeh, um pacifista da instituição de caridade Medact, disse que se o Exército estivesse preocupado com a saúde mental dos soldados, deixaria de recrutar menores de 18 anos. 

Wayne Sharrocks, ex-soldado e membro da Peace Pledge Union, uma ONG pacifista britânica, disse que castigos físicos brutais são a regra no Exército. “O medo é instilado desde o início. Tudo isso tem impactos negativos na saúde dos soldados.”

Já o coronel da reserva Richard Kemp, ex-comandante das operações britânicas no Afeganistão, afirmou que a campanha não resolveria o problema do recrutamento. “O Exército, como o restante do governo, está sendo forçado a seguir o caminho do politicamente correto”, disse ao programa BBC Breakfast. “O que é importante é que o Exército esteja cheio de soldados com vontade de estar ali. É secundário que reflita a composição da sociedade.”

Falando em um programa da rádio BBC 4, o general Nick Carter, chefe das Forças Armadas britânicas, disse que o Exército precisava mudar. “Estamos em 2018, esta é uma campanha voltada para pessoas deste século”, afirmou. “Estamos recebendo novos tipos de candidatos, precisamos ajustar a abordagem. Os recrutas tradicionais são brancos, homens, entre 16 e 25 anos, e essa base mudou. É preciso buscar pessoas sensíveis. A demografia do país mudou e precisamos chegar a uma comunidade mais ampla para encontrar os talentos certos.” / AFP

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