AP/Carolyn Kaster
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Procurador admite que não pode indiciar Trump por ingerência russa

Segundo Giuliani, advogado do presidente, Robert Mueller pode fazer recomendações à Câmara, responsável pela abertura de processos de impeachment

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

16 Maio 2018 | 20h01

O procurador especial que investiga a interferência russa na eleição presidencial americana de 2016 concluiu que não pode indiciar um presidente no exercício do mandato, disse o advogado de Donald Trump, Rudolph Giuliani, à CNN. 

“Tudo o que eles podem fazer é escrever um relatório”, afirmou o ex-prefeito de Nova York. “Eles não podem indiciar. Pelo menos eles reconheceram isso para nós depois de alguma batalha.” Se confirmada, a posição é coerente com a orientação adotada pelo Departamento de Justiça desde o governo Richard Nixon, nos anos 70. Segundo a diretriz, o presidente em exercício só pode ser alvo de um processo de impeachment, não de um processo judicial.

Mas essa interpretação  não tem consenso na comunidade jurídica americana. Responsável pela investigação, Robert Mueller poderia decidir testá-la nos tribunais. Pelas declarações de Giuliani, ele não deverá tomar esse caminho. Ainda assim, o procurador poderá fazer recomendações em seu relatório para a Câmara dos Deputados, responsável pela abertura de casos de impeachment. 

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A Casa Branca divulgou ontem o relatório financeiro anual do presidente, no qual ele reconheceu pagamento de valor entre US$ 100 mil e US$ 250 mil ao advogado Michael Cohen. O documento não revela a razão do desembolso, mas Cohen pagou US$ 130 mil à atriz pornô Stormy Daniels para comprar seu silêncio sobre um suposto caso com Trump.

O Escritório de Ética Governamental disse que a dívida com Cohen deveria ter sido registrada como um “passivo” na declaração apresentada no ano passado.

Documentos tornados públicos ontem pelo Senado americano revelaram que integrantes da família Trump estavam ansiosos por obter informações comprometedoras sobre Hillary Clinton em reunião que tiveram em junho de 2016 na Trump Tower, em Nova York, com uma advogada russa próxima do Kremlin.

Transcrições de depoimentos e cópias de e-mails coletados em investigação sobre o encontro contradizem a descrição original feita por Donald Trump Jr., segundo a qual o tema da discussão era a adoção de crianças russas por americanos. As 2.500 páginas tornadas públicas ontem deixam claro que o filho mais velho do presidente foi ao encontro com a expectativa de receber dados comprometedores sobre a rival democrata de seu pai. 

A reunião na Trump Tower é um dos principais alvos da investigação de Mueller, que completa um ano hoje. Seu objetivo é descobrir se houve conluio entre a campanha de Trump e a Rússia para favorecer o candidato republicano na eleição de 2016. 

Segundo os documentos, as prometidas informações negativas sobre Hillary não foram apresentadas pela advogada, Natalia Veselnitskaya, o que frustrou Trump Jr. e seu cunhado Jared Kushner, casado com Ivanka Trump.

Em seu depoimento à Comissão de Justiça do Senado, Trump Jr. disse que seu pai participou de maneira indireta e parcial da elaboração da nota que descreveu a adoção como tema do encontro. De acordo com reportagem do Washington Post, o presidente ditou o teor da nota para o filho quando voava da Alemanha para os EUA.

O Comitê de Inteligência do Senado concluiu ontem que a comunidade de inteligência dos EUA estava correta ao afirmar que a Rússia interveio nas eleições de 2016 para ajudar a candidatura de Trump. A avaliação revelou divisão entre os republicanos da Casa e os da Câmara dos Deputados, que colocaram em dúvida as conclusões dos órgãos de inteligência.

“Não vemos nenhuma razão para disputar as conclusões”, disse o presidente do comitê, o republicano Richard Burr. O democrata Mark Warner foi mais incisivo: “O esforço russo foi extenso, sofisticado e ordenado pelo presidente (Vladimir) Putin para ajudar Donald Trump e prejudicar Hillary Clinton”.

 

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