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Procurador-chefe do Egito volta atrás e retira demissão

Talaat Ibrahim disse que sua demissão tinha sido apresentada sob coação após protestos da oposição

Reuters

20 de dezembro de 2012 | 15h36

CAIRO - O procurador-chefe do Egito, forçado a se demitir esta semana depois de protestos da oposição, voltou atrás na decisão nesta quinta-feira, 20, preparando o cenário para mais tumulto no momento em que a nação vota em um referendo sobre o futuro político.

O procurador Talaat Ibrahim, indicado pelo presidente Mohamed Morsi quando ele assumiu novos poderes, no mês passado, disse que mudou de ideia porque a sua demissão na segunda-feira tinha sido apresentada sob coação. Ibrahim tinha saído depois que mais de 1.000 membros de sua equipe se reuniram em seu escritório no Cairo para exigir que ele renunciasse.

A decisão de Morsi de nomear Ibrahim, em vez de deixar a nomeação para as autoridades judiciais, ameaçou a independência do poder judicial, afirmaram promotores irritados. Ibrahim descreveu a sua saída do cargo como "misteriosa e anormal" e disse que agora caberia ao ministro da Justiça decidir sobre o seu futuro, de acordo com o site estatal de notícias Al-Ahram.

Vários promotores imediatamente anunciaram que estavam suspendendo o trabalho e iriam organizar um protesto aberto do lado de fora do escritório de Ibrahim.

A decisão de Ibrahim de voltar atrás aconteceu 48 horas antes de os egípcios votarem em um referendo sobre uma nova constituição defendida por Morsi como um passo vital na transição do Egito para a democracia quase dois anos depois da queda de Hosni Mubarak.

A oposição, enfrentando possível derrota sobre a constituição, insistiu aos eleitores para rejeitar a Carta Magna apoiada pelos islâmicos e se comprometeu a lutar para alterá-la durante as eleições no próximo ano.

A oposição, uma coalizão de liberais, esquerdistas, cristãos e muçulmanos seculares, pediu um voto "não" contra um documento que considera inclinado demais para o islamismo.

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