Procurador denuncia crime contra humanidade no Quênia

O procurador-geral do Tribunal Penal Internacional (TPI), Luis Moreno Ocampo, afirmou hoje ter certeza de que foram cometidos crimes contra a humanidade no Quênia em 2007 e em 2008. O país viveu distúrbios após a realização de eleições, quando mais de mil pessoas morreram.

AE-AP, Agencia Estado

05 Novembro 2009 | 15h12

Ocampo disse que informou ao presidente queniano, Mwai Kibaki, e ao primeiro-ministro, Raila Odinga, que pedirá permissão em dezembro, a uma corte, para abrir uma investigação formal sobre a violência, ocorrida entre dezembro de 2007 e fevereiro de 2008.

Kibaki e Odinga disseram que o governo cooperará com o TPI. "Nós estamos prontos e desejamos trabalhar e cooperar com o sr. Ocampo para garantir que aqueles que têm a responsabilidade pelos crimes cometidos sejam levados à justiça", afirmou Odinga.

O escritório do procurador-geral avalia se houve crimes contra a humanidade no Quênia desde janeiro de 2008. Em julho deste ano, o ex-secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, que mediou o fim da crise, enviou para Ocampo um envelope lacrado com nomes de suspeitos de liderar os distúrbios.

Uma comissão independente que investigou a violência após as eleições apurou os nomes, mas decidiu não divulgá-los, temendo interferências no futuro. A comissão sugeriu que o governo forme um tribunal independente com juízes quenianos e estrangeiros para julgar os suspeitos, pois as cortes locais não seriam confiáveis, ou que o TPI cuidasse da questão.

O governo até agora não formou um tribunal independente. A violência ocorreu após rivais divergirem dos resultados das eleições de dezembro de 2007. Foi a pior crise nacional desde sua independência da Grã-Bretanha, em 1963.

Kibaki e Odinga firmaram um acordo para dividir o poder em fevereiro de 2008, para encerrar a violência, que prejudicou a imagem do país, visto como o mais estável em uma região marcada por guerras civis.

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