Procurador diz que se professor não recorrer será executado

O procurador-chefe do Irã advertiu hoje que a sentença de pena de morte contra um professor de história que questionou o regime será final caso ele continue se recusando a entrar com uma apelação, divulgou a oficial Agência de Notícias da República Islâmica.Hashem Aghajari, um professor da Tarbiat-e-Modarres, ou Universidade de Treinamento de Professores de Teerã, recusa-se a apelar da decisão do tribunal e desafia o judiciário a executar a sentença num caso que tem provocado fortes manifestações."Aghajari é obrigado a apelar. Se ele não apelar dentro de 20 dias, o veredito será final", teria dito o clérigo linha-dura Abdol-Nabi Namazi, segundo a IRNA.O advogado de Aghajari, Saleh Nikbakht, afirmou à AP que os comentários do procurador-chefe são contrários às leis iranianas."O líder supremo, o chefe do judiciário, o procurador-chefe, o presidente da Suprema Corte e o juiz investigativo do caso têm o direito legal de reconsiderar o veredito se eles considerarem que a sentença foi errada. Os comentários do procurador-chefe contradiz a lei", comentou.O advogado lembrou que o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, que tem a palavra final em todos os assuntos de Estado, já ordenou uma revisão do caso.Khamenei ordenou em 16 de novembro ao judiciário para reconsiderar o veredito, mas o chefe do judiciário, aiatolá Mahmoud Hashemi Shahroudi, buscando manter as aparências, disse que o tribunal iria "seguir os procedimentos legais normais para reconsiderar o veredito".O veredito e a sentença provocaram fortes críticas de parlamentares e do público. Universitários consideraram a decisão "medieval".Enquanto isso, dois proeminentes estudantes reformistas que lideraram protestos contra a sentença foram presos por agentes fardados. Abdollah Momeni e Akbar Atri foram espancados e levados na manhã de hoje, disse o estudante Arash Pahlavan-Nasir.Momeni e Atri pertencem ao maior grupo estudantil reformista do Irã, que organizou o maior protesto de estudantes em três anos para denunciar a sentença.

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