Procurador-geral da Venezuela ameaça demitir-se

O procurador-geral da Venezuela ameaçou demitir-se nesta quinta-feira caso o governo não apóie suas ações na controversa investigação sobre a morte de um padre em Caracas. Isaías Rodriguez defendeu veementemente o seu trabalho um dia depois de ser criticado por líderes da Igreja Católica por ter descrito detalhes chocantes da cena do crime. Ao menos um importante líder católico venezuelano pediu sua demissão. Ainda assim, o procurador-geral criticou a atuação do chefe da Policia Federal, Marcos Chavez, que sustentou a tese de latrocínio para o crime. Para Rodriguez, o policial deve ser afastado do caso. O procurador pediu que o congresso decida se ele deve continuar no cargo. "Se eu tiver que oferecer meu posto à Assembléia Nacional, oferecerei", disse. "Mas eu não farei concessões em relação à investigação." Para o Monsenhor Roberto Luckert, um dos principais críticos da investigação, Rodriguez deveria renunciar: "Acho que ele deve entregar o cargo por ter sido tolo e omisso em seu julgamento." O corpo do Reverendo Jorge Pinango, um padre muito conhecido que serviu como subsecretário da conferência dos bispos da Venezuela, foi encontrado em um quarto de hotel em Caracas nesta segunda-feira. As críticas contra o procurador-geral começaram depois que Rodriguez revelou que o corpo de Pinango estava nu e com ferimentos no anus. Para os líderes da Igreja, a declaração teria sido imprópria. "Eu estou colocando meu cargo a disposição para que a Assembléia Nacional decida se concessões contra a verdade devem ser feitas nesse caso", disse o procurador. O líder oposicionista e candidato à presidência da Venezuela Julio Borges pediu a cabeça de Rodriguez, pois isso "abriria as portas para uma justiça diferente, uma justiça que não poderá ser parcial". Já o ministro da Justiça, Jesse Chacon, defendeu o trabalho do procurador, a quem disse respeitar. "Eu espero que ele continue", disse Chacon. "Nós não fizemos e nem faremos qualquer concessão que comprometa a verdade." Prisão O procurador não comentou a prisão, nesta quarta-feira, do suspeito Andres Jose Rodriguez Rojas, de 24 anos. Segundo a polícia, haveria evidências ligando Rojas ao crime. Segundo os investigadores, Pinango aparentemente morreu asfixiado. "Eu posso começar a procurar hoje mesmo por policiais que mereçam confiança. Só não posso acreditar em Marcos Chavez", disse Rodriguez, que acrescentou estar estudando a imposição de sanções contra o chefe da Polícia Federal. As declarações do procurador geral parecem ter aumentado as tensões entre a Igreja Católica e alguns membros do governo Chávez. O presidente e outros funcionários de sua administração tem afirmado repetidas vezes que querem ter boas relações com a igreja.

Agencia Estado,

27 Abril 2006 | 21h04

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