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Procurador-geral pretende investigar presidente do Peru

Pressionado a renunciar desde que tentou demitir investigadores do caso Odebrecht, Chávarry se volta contra Martín Vizcarra

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de janeiro de 2019 | 12h57

LIMA - O procurador-geral do Peru, Pedro Chávarry, cuja renúncia é exigida por vários setores da política peruana, pediu ao presidente do Congresso, Daniel Salaverry, que investigue o presidente Martín Vizcarra, que lhe atribuiu um prejuízo causado às investigações de casos de corrupção no país.

Por meio de um ofício, Chávarry pediu a Salaverry que forme uma comissão para investigar as declarações que o presidente fez após a destituição e a reintegração de dois procuradores responsáveis pelas investigações do escândalo da Odebrecht no Peru, Rafael Vela e José Domingo Pérez.

O procurador-geral disse que quer saber qual o prejuízo que Vizcarra teria sofrido com a destituição de Vela e de Pérez, que se preparavam para obter um acordo de delação com a construtora brasileira.

Chávarry, que havia destituído os dois procuradores, disse que a suspensão da assinatura do acordo, prevista para o dia 11, se deve à posse do novo presidente brasileiro, Jair Bolsonaro.

Pérez, um dos procuradores, confirmou que a assinatura do acordo ocorrerá em outra data, assim como os interrogatórios de ex-diretores da Odebrecht no Peru, e insistiu que a decisão de Chávarry afetou o desenvolvimento das investigações. Ele declarou que Chávarry é “um perigo para o Ministério Público”, pois colocou a promotoria “a serviço dos corruptos”. Vela, por sua vez, afirmou que o principal motivo da decisão de Chávarry era frustrar o acordo de leniência fechado com a Odebrecht.

Chávarry perdeu o apoio da junta de procuradores supremos – que ele também integra – depois da controvertida destituição e posterior reintegração dos principais investigadores do caso Odebrecht. Em uma reunião, na sexta-feira, os outros quatro procuradores supremos pediram a Chávarry que renuncie ao cargo. Ele pediu um tempo para refletir.

O procurador-geral é questionado por seus vínculos com uma rede de corrupção no Ministério Público e por sua ligação com o fujimorista Força Popular, o maior partido da oposição, e o Partido Aprista, principal aliado político do fujimorismo.

Apesar dos reiterados pedidos de demissão, Chávarry permanece no cargo graças ao apoio dos procuradores Tomás Gálvez e Víctor Rodríguez, que também aparecem envolvidos no mesmo caso de corrupção. Se ele continuar resistindo à pressão, poderá ser destituído pelo Conselho Nacional de Magistratura ou pelo Congresso.

Na semana passada, Chávarry voltou atrás em sua decisão de destituir Vela e Pérez quando o presidente peruano se preparava para apresentar no Congresso um projeto de lei para uma intervenção no Ministério Público. O surpreendente afastamento dos procuradores havia desencadeado uma onda de protestos populares.

Queda da elite política

Depois do Brasil, o Peru é o país onde o escândalo da Odebrecht causou mais impacto. Os quatro últimos presidentes peruanos estão sendo investigados por ligações com propinas pagas pela empreiteira brasileira em contratos de obras públicas. Ollanta Humala está em prisão preventiva há dez meses. Alan García e Pedro Pablo Kuczynski estão proibidos de deixar o país. E Alejandro Toledo fugiu para os EUA, onde enfrenta um processo de extradição.

A principal líder da oposição, Keiko Fujimori, também está em prisão preventiva desde novembro, acusada de lavar dinheiro de propinas da Odebrecht. Segundo a procuradoria peruana, a construtora está perto de fechar um acordo de leniência, que deveria ser assinado no dia 11, mas foi adiado em razão da crise causada pela tentativa do procurador-geral, Pedro Chávarry, de demitir os procuradores Rafael Vela e José Domingo Pérez, na semana passada. / EFE

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