Procurador-geral sírio renuncia em mensagem de vídeo

O procurador-geral da Síria, Adnan Bakkour, anunciou em mensagem de vídeo a sua renúncia e disse que a medida foi um protesto contra a repressão do presidente Bashar Assad aos manifestantes contrários ao seu governo. Bakkour afirmou que nesses cinco meses de confrontos as forças do governo mataram centenas de pessoas na cidade de Hama e detiveram milhares de "manifestantes pacíficos".

AE, Agência Estado

01 Setembro 2011 | 12h43

A decisão representa a deserção do mais alto integrante do regime. A agência de notícias estatal informou nesta quinta-feira que "terroristas" haviam sequestrado Bakkour e o forçaram a fazer a gravação, mas ele negou essa informação num segundo vídeo.

O agora ex-procurador diz no vídeo que as forças de segurança mataram 72 prisioneiros em julho e outros 420 durante o cerco militar a Hama, a principal cidade da província de mesmo nome, em agosto. Segundo ele, o ministro do Interior, Mohammed Shaar dirigiu a ofensiva e disse que autoridades o instruíram a culpar grupos armados pelos assassinatos.

"Eu estou renunciando ao meu cargo no regime de Assad e à sua gangue", disse Bakkour no primeiro vídeo, no qual usa um terno claro e gravata, lendo o texto escrito num papel branco. No segundo vídeo, ele nega que tenha sido sequestrado e diz que vai dar mais detalhes quando deixar a Síria, o que deve acontecer em breve.

"Eu estou sob a proteção dos rebeldes e do povo", disse ele. Os dois vídeos foram colocados na internet na noite de quarta-feira, enquanto forças de segurança invadiam casas e faziam prisões em Hama.

A Associated Press não pôde verificar a autenticidade dos vídeos de Bakkour. A Síria proibiu o trabalho de jornalistas estrangeiros no país e restringe a cobertura dos profissionais locais, o que torna praticamente impossível confirmar os acontecimentos no país.

Os protestos na Síria parecem não dar sinais de abatimento. Os manifestantes invadem as ruas todas as semanas, apesar da quase certeza de que encontrarão uma barragem de bombas e disparos de francoatiradores. Mas o regime não está na iminência de cair, o que pode resultar num impasse longo e sangrento. As informações são da Associated Press.

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