Procurador mexicano é achado morto

Cadáver de funcionário do Ministério Público que investigava massacre de 72 estrangeiros em San Fernando é encontrado em estrada quase ao mesmo tempo em que carro-bomba explode na frente da sede da emissora Televisa no Estado de Tamaulipas

AP, AFP e EFE, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2010 | 00h00

Soldados da Marinha mexicana encontraram ontem, numa estrada do Estado de Tamaulipas, o corpo de um agente do Ministério Público que investigava o massacre de 72 estrangeiros - incluindo 4 brasileiros - numa fazenda de San Fernando, perto da fronteira com os EUA. Quase ao mesmo tempo, um carro-bomba foi detonado na frente da sede de Ciudad Victoria, capital de Tamaulipas, da TV Televisa. A explosão não causou vítimas.

O cadáver do promotor Roberto Javier Suárez Vázquez foi localizado no acostamento da estrada que liga Ciudad Victoria a San Fernando. Ao lado dele, estava o corpo de outro homem, não identificado imediatamente, mas presumivelmente um funcionário da prefeitura de San Fernando. Tanto a morte dos dois funcionários quanto a explosão do carro-bomba foram atribuídos ao cartel conhecido como Los Zetas, que controla a região. Os Zetas são responsabilizados pela chacina dos 72 imigrantes que pretendiam chegar aos EUA.

O ataque à Televisa seria uma tentativa de intimidar a emissora, para forçá-la a parar de transmitir notícias sobre o massacre. Atemorizados, jornais e rádios locais evitam abordar o caso.

Único sobrevivente da matança, o equatoriano Luis Freddy Pomavilla, de 18 anos, diz que os Zetas executaram os estrangeiros depois de eles terem se recusado a trabalhar para o grupo - como pistoleiros ou em outras funções do crime organizado - por um salário de US$ 2 mil mensais. Pomavilla, que escapou da execução porque os criminosos o consideraram morto, está internado sob forte esquema de segurança num hospital da região.

Ontem, jornais mexicanos informaram que parentes do sobrevivente nos EUA e no Equador receberam ameaças dos Zetas.

O grupo criminoso atua tanto no tráfico de metanfetaminas para os EUA quanto no transporte ilegal e extorsão de imigrantes.

A crueldade do crime organizado no México intensificou-se desde 2006, quando o presidente Felipe Calderón declarou guerra ao narcotráfico e pôs o Exército no combate aos cartéis. Desde então, estima-se em 28 mil o número de mortes neste confronto.

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