Procurador sírio nega pressão após renúncia em vídeo crítico ao governo

Adnan Bakkour gravou vídeo divulgado no YouTube no qual afirma que ações do regime de Assad forçaram sua saída.

BBC Brasil, BBC

01 Setembro 2011 | 15h00

O procurador-geral de Hama, na Síria, que anunciou sua renúncia em um vídeo exibido no YouTube e na TV Al Jazeera, negou nesta quinta-feira ter sido forçado a abdicar do seu posto.

No vídeo de renúncia, o procurador Adnan Bakkour afirma que estava renunciando a seu cargo devido à repressão violenta praticada pelo governo do presidente Bashar al-Assad e por ter testemunhado "crimes contra a humanidade" cometidos por tropas sírias - incluindo a morte de 72 prisioneiros em um dia.

Mas a emissora estatal síria, Sana, afirmou que Bakkour gravou o depoimento quando foi sequestrado, no dia 29 de agosto, por ''grupos terroristas armados'' e que as declarações dele foram feitas sob a mira de armas e são falsas.

O procurador se defendeu em um novo vídeo, no qual afirma: ''Eu renunciei em protesto contra as práticas bárbaras do regime contra manifestantes pacíficos. Relatos feitos pela TV síria de que eu fui sequestrado por grupos armados são completamente falsos. Estou sendo protegido pelas famílias de alguns revolucionários. Estou bem e com saúde''.

Akkour, que diz ainda estar na Síria, comentou também que foram forças do governo que tentaram sequestrá-lo, após ele ter gravado o vídeo que ganhou fama entre os dissidentes do regime.

Nas imagens que foram divulgadas originalmente, o procurador afirma: ''Sou o procurador-geral do governo de Hama, Adnan Bakkour, e estou anunciando minha renúncia devido ao regime de Assad e suas gangues''.

Ele acrescenta: "Vou resumir minhas razões para renunciar: Em primeiro lugar, a morte de 72 pessoas na prisão central de Hama, no domingo, 31 de julho, inclusive a de manifestantes pacíficos e de ativistas políticos". Em seguida ele cita práticas de tortura, prisões arbitrárias e enterros de centenas de vítimas em valas comuns.

Uma fonte oficial síria afirmou, na agência Sana, que a fala do ex-procurador é uma "mentira sobre práticas completamente falsas" e voltou a dizer que as declarações foram feitas sob pressão de opositores de Assad.

O correspondente da BBC em Beirute, Owen Bennett-Jones, diz que não é possível saber ao certo o que se passou com Bakkour, mas que ele não parecia estar sendo coagido na gravação de seu vídeo de renúncia.

Repressão

A renúncia de Bakkour ocorre enquanto tropas e tanques realizaram uma operação em casas de Hama, em busca de ativistas responsáveis pelos protestos antigoverno, segundo afirmam residentes.

Na terça-feira, segundo ativistas, pelo menos sete pessoas foram mortas a tiros pelas forças de segurança, enquanto milhares de pessoas participaram de manifestações improvisadas depois das orações que marcaram o fim do mês sagrado islâmico do Ramadã.

A ONU afirma que mais de 2.200 pessoas já foram mortas na Síria desde que os protestos por reformas democráticas começaram, em março. O governo de Assad culpa "gangues criminosas armadas" pelo levante popular. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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