EFE/Cristian Hernández
EFE/Cristian Hernández

Procuradora chavista contesta nomeação de juízes do Supremo na Venezuela

'Há uma falta de legitimidade de origem a esses juízes que afeta esses juízes que afeta não apenas sua idoneidade, imparcialidade, como também tem contribuído para que o tribunal não dê soluções para a crise no país', diz Luísa Ortega Díaz

O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2017 | 17h13

CARACAS - Em um sinal de confronto aberto com a cúpula do governo venezuelano, a procuradora-geral da Venezuela, a chavista dissidente Luisa Ortega Díaz, pediu nesta segunda-feira, 12, a anulação da nomeação de 33 juízes do Tribunal Supremo de Justiça - a mais alta corte do país, cujos magistrados tomam decisões sempre favoráveis ao presidente Nicolás Maduro

Este é o segundo recurso impetrado por Ortega Díaz na Justiça do país, e o mais recente sinal de cisão dentro do chavismo. Na semana passada, ela tentou anular a convocação da Assembleia Constituinte feita por Maduro. Hoje pela manhã, o TSJ rejeitou o recurso

Ortega Díaz deu sinais de distanciamento do chavismo durante a mais recente onda de protestos contra o governo, que já deixou 66 mortos no país desde o começo de abril. Nos últimos meses, ela criticou a atuação da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) na repressão às manifestações e contradisse a versão oficial do governo sobre a morte de opositores. 

À Rádio Unión, que é crítica ao governo, a procuradora-geral disse que pretende impugnar os 13 juízes e 20 suplentes do TSJ, nomeados às pressas no fim de 2015, antes de a oposição assumir o controle do Parlamento, à época ainda com maioria chavista. 

"Eu não participei desse processo e adverti que ele estava mal feito", disse. 

Segundo a procuradora, que garantiu não ter assinado os processos que deram posse aos juízes, sua demora em se pronunciar sobre o caso se deveu a não conseguir documentos que comprovassem que ele foi irregular. 

"Há uma falta de legitimidade de origem a esses juízes que afeta esses juízes que afeta não apenas sua idoneidade, imparcialidade, como também tem contribuído para que o tribunal não dê soluções para a crise no país", acrescentou. 

O TSJ tem derrubado todas as leis aprovadas pela oposição na Assembleia Nacional e aprovado por via judicial projetos de interesse do presidente Nicolás Maduro. No fim de março, tomou para si os poderes da Assembleia, o que deu início a atual onda de protestos. /EFE

 

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