REUTERS/Marco Bello
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Procuradora chavista volta a ameaçar governo e pede processo contra juízes

No terceiro ato de desafio ao governo de Nicolás Maduro em menos de uma semana, Luísa Ortega Díaz diz que magistrados romperam ordem constitucional

O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2017 | 14h20

CARACAS - No terceiro ato de desafio ao governo de Nicolás Maduro em menos de uma semana, a procuradora-geral da Venezuela, a chavista dissidente Luisa Ortega Díaz, pediu nesta terça-feira, 13, que o Tribunal Supremo de Justiça, que é alinhado ao governo, autorize a abertura de processo contra oito de seus juízes. 

"O TSJ vem executando de maneira reiterado decisões que produzem uma ruptura da ordem constitucional", disse ela à imprensa às portas do tribunal.

Ontem, ela pediu a anulação da nomeação de 33 juízes do TSJ. Na semana passada, ela tentou anular a convocação da Assembleia Constituinte feita por Maduro. 

Ortega Díaz deu sinais de distanciamento do chavismo durante a mais recente onda de protestos contra o governo, que já deixou 66 mortos no país desde o começo de abril.

Cisão. Em 31 de março, ela considerou uma ruptura institucional o decreto do TSJ no qual a Corte tomou para si as competências da Assembleia Nacional, controlada pela oposição.  Nos últimos meses, ela criticou a atuação da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) na repressão às manifestações e contradisse a versão oficial do governo sobre a morte de opositores. 

À Rádio Unión, que é crítica ao governo, a procuradora-geral disse que pretende impugnar os 13 juízes e 20 suplentes do TSJ, nomeados às pressas no fim de 2015, antes de a oposição assumir o controle do Parlamento, à época ainda com maioria chavista. 

"Eu não participei desse processo e adverti que ele estava mal feito", disse. "Há uma falta de legitimidade de origem a esses juízes que afeta esses juízes que afeta não apenas sua idoneidade, imparcialidade, como também tem contribuído para que o tribunal não dê soluções para a crise no país"

O TSJ tem derrubado todas as leis aprovadas pela oposição na Assembleia Nacional e aprovado por via judicial projetos de interesse do presidente Nicolás Maduro. No fim de março, tomou para si os poderes da Assembleia, o que deu início a atual onda de protestos.

Ameaças. Ainda ontem, a chefe do MP venezuelano disse que sua família recebeu ameaças por telefone e estava sendo seguida por agentes da inteligência. “Alguém está ameaçando minha família”, disse Ortega em entrevista em rádio. “Eles me incomodam, eles me seguem, carros de patrulha que parecem do Sebin”. / AFP

 

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