EFE
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Chavismo deve decidir em cinco dias afastamento de procuradora dissidente

Luisa Ortega Díaz se recusa a comparecer ao Tribunal Supremo de Justiça e pressiona chavismo ao citar caso Odebrecht e sobrinhos de Maduro acusados de narcotráfico

O Estado de S.Paulo

04 Julho 2017 | 13h00
Atualizado 04 Julho 2017 | 18h25

CARACAS - A procuradora-geral da Venezuela, a chavista dissidente Luisa Ortega Díaz, negou-se nesta terça-feira, 4, a se apresentar ao Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), em um processo apresentado por um deputado chavista que a acusa de irregularidades à frente do Ministério Público.  A audiência foi concluída horas depois, sem a presença dela. A decisão sobre sua possível suspensão deve sair em cinco dias.

Em confronto aberto com o governo, Ortega prometeu não reconhecer a nomeação de uma advogada chavista feita pelo TSJ como vice-procuradora e solicitou à Assembleia Nacional, controlada pela oposição, que valide como número dois do MP um nome de sua confiança. 

Em pronunciamento na sede do MP, a procuradora-geral lembrou o governo que tem acesso a duas investigações que podem prejudicar o chavismo: os sobrinhos do presidente Nicolás Maduro acusados de narcotráfico e o caso Odebrecht.

“Não fui ao TSJ e não validarei um circo cujo a decisão já está tomada”, afirmou Ortega. “Esse é um golpe de Estado pior que o de Carmona”, acrescentou a procuradora em alusão à tentativa da oposição de tirar Hugo Chávez do poder em 2002.

O deputado da base governista Pedro Carreño compareceu à audiência preliminar que pode tirar Ortega do cargo. À Corte, ele disse que ela “mentiu” por ter afirmado que não aprovou a eleição de 33 magistrados feita em 2015 na legislatura anterior, de maioria chavista. 

Antes do início da sessão, o máximo tribunal venezuelano nomeou uma polêmica advogada chavista para o cargo de vice-procuradora. Katherine Harrington foi juramentada pela Sala Plena do TSJ. Procuradora regional durante a gestão de Ortega, ela foi punida em 2015 pelos Estados Unidos por violações dos direitos humanos ao enviar para a prisão vários líderes da oposição, como o prefeito de Caracas Antonio Ledezma.

Na véspera, o TSJ também anulou citação feita por Ortega contra dois generais da Força Armada, acusados de violar os direitos humanos durante os protestos contra o governo, que já deixaram 86 mortos.

Ortega rompeu com o chavismo depois de o TSJ anular as competências do Parlamento, em março. / AFP

 

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