AP Photo/Ariana Cubillos
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Procuradora fecha porta do MP a indicada por Maduro para substituí-la

Katherine Haringhton, juramentada como vice-procuradora há dois dias pelo Tribunal Supremo de Justiça, encontrou os portões da Procuradoria, no centro de Caracas, fechados; a titular do cargo, Luisa Ortega Díaz, rompeu com o chavismo há três meses

O Estado de S.Paulo

06 Julho 2017 | 14h56

CARACAS - A Procuradora-Geral da Venezuela, Luisa Ortega Díaz, impediu nesta quinta-feira, 5, a entrada no Ministério Público (MP) da advogada chavista Katherine Haringhton, nomeada nesta semana pelo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) para o cargo de vice-procuradora.

Katherine é a provável substituta de Ortega, que recentemente rompeu com o chavismo, caso a Suprema Corte do país decida abrir um processo que pode resultar no seu afastamento - a corte disse que divulgará até domingo sua decisão sobre o caso

"Denunciamos a pretensão arbitrária da vice-procuradora nomeada pelo TSJ de ingressar no MP", afirmou Ortega em sua conta no Twitter. "Responsabilizo ao Sebin (o serviço de inteligência do país) e à Guarda Nacional Bolivariana (GNB) por qualquer situação irregular que ocorra contra a sede e funcionários do MP."

A advogada chavista se retirou do prédio sem que os portões da entrada fossem abertos, diante de dezenas de jornalistas. Ela havia chegado inesperadamente com seus seguranças à sede da Procuradoria, no centro de Caracas, mas depois de esperar 20 minutos, decidiu ir embora.

"Estava otimista para que nos recebessem. A intenção é começar a trabalhar com a procuradora pela paz que todos queremos. Vínhamos montar uma equipe de trabalho. Estou certa de que ela pensará melhor", assegurou Katherine, em breves declarações.

Ela foi juramentada há dois dias pela Sala Constitucional do TSJ, pouco antes de uma audiência na qual a corte decidirá se julgará Ortega por supostas irregularidades cometidas no cargo - ela é acusada por chavistas de mentir nas acusações contra os magistrados.

Ortega disse desconhecer a nomeação de Katherine como vice-procuradora por considerar que quem deve fazer isso é o Parlamento - de maioria opositora -, além de considerar que os magistrados do TSJ foram escolhidos ilegalmente.

Chavista histórica, Ortega se converteu há três meses numa das principais adversárias do presidente Nicolás Maduro e do TSJ, acusado pela oposição de ser manipulado pelo governo. / AFP

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