REUTERS/Marco Bello
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Procuradora-geral da Venezuela retoma críticas a Maduro

Em entrevista ao jornal 'Wall Street Journal', Luisa Ortega Díaz voltou a condenar a repressão às manifestações opositoras e defendeu a atual constituição do país, promovida pelo ex-presidente Hugo Chávez em 1999, considerada por ela 'imbatível'

O Estado de S.Paulo

04 Maio 2017 | 11h06

WASHINGTON - A Procuradora-Geral da Venezuela, Luisa Ortega Díaz, condenou a violenta repressão às manifestações opositoras e defendeu a Constituição que o presidente Nicolás Maduro quer eliminar, revela uma entrevista ao Wall Street Journal publicada na noite de quarta-feira.

Luisa, que pediu aos órgãos de segurança estatais que garantam o direito à manifestação pacífica e denunciou a ausência do devido processo contra os detidos nos protestos, acusou a Guarda Nacional Bolivariana (GNB) e os corpos de inteligência de prisões arbitrárias.

"Não podemos exigir uma conduta pacífica e legal dos cidadãos se o Estado não adota decisões de acordo com a lei", disse Luisa ao jornal americano, em sua primeira entrevista após o início da atual onda de protestos, no dia 1º de abril.

A procuradora, uma chavista declarada, foi acusada durante anos pela oposição e grupos de direitos humanos de ajudar na condenação de dissidentes e ignorar acusações de corrupção contra funcionários do governo.

Ela surpreendeu a Venezuela no final de março, quando qualificou de "ruptura da ordem constitucional" a decisão do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) - apoiada por Maduro - de assumir as funções do Parlamento, único órgão estatal controlado pela oposição. Anulada posteriormente, a decisão do Supremo deflagrou uma onda de protestos e de repressão estatal que já deixou 32 mortos.

Os comentários de Luisa Ortega ao Wall Street Journal confirmam sua ruptura com a linha dura do governo Maduro, que enfrenta um crescente descontentamento popular em razão da falta de alimentos e da inflação descontrolada.

"Esta Constituição é imbatível. Esta é a Constituição de Chávez", disse Ortega com a mão sobre uma cópia da Carta Magna de 1999, promovida pelo finado presidente venezuelano. "Para o bem do país, é hora de dialogar e negociar. Isto significa que alguém deve tomar decisões", concluiu Ortega, de 59 anos. / AFP

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