REUTERS/Marco Bello
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Procuradora ligada ao chavista quer fim de repressão a protestos

Luisa Ortega orienta polícia a voltar combate a milícias do governo; Guarda Bolivariana será investigada por morte

O Estado de S.Paulo

24 Maio 2017 | 20h46

CARACAS - A procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega Díaz, criticou nesta quarta-feira, 24, a repressão da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) aos protestos de rua e pediu que os guardas restrinjam suas ações ao combate de “grupos armados” como os “coletivos” chavistas, milícias a serviço do governo. 

A chefe da Procuradoria-Geral tem se distanciado do chavismo e manifestado contrariedade às ações das forças de segurança desde as primeiras semanas de manifestações, no início de abril. Hoje, Luisa Ortega afirmou que há “uso excessivo de repressão” enquanto moradores de diversos Estados venezuelanos se queixam da falta de policiamento rotineiro para coibir a criminalidade comum.

Ela também informou que um dos jovens mortos durante as manifestações, Juan Pablo Pernalete, foi morto em Altamira pelo impacto de um projétil de gás lacrimogêneo contra seu peito. A bomba, segundo ela, foi jogada pela GNB. 

Pernalete sofreu um choque cardíaco pelo traumatismo no tórax. O Ministério Público investigará quem arremessou o artefato e determinar o culpado pela morte. Uma apuração da Procuradoria neste estágio contra forças do governo é incomum. 

“É preciso identificar as causas do confronto entre os venezuelanos, confronto que não se resolve privando de liberdade as pessoas, mas sim reconhecendo que existe o problema, o descontentamento social é produto da grave crise econômica que provoca insegurança, desabastecimento de alimentos e medicamentos”, afirmou ela.

Um dos escudeiros do presidente Nicolás Maduro, Elías Jaua, respondeu na segunda-feira às críticas da procuradora-geral afirmando que suas palavras são só “mais uma opinião política” como qualquer outra. Jaua preside a comissão criada por Maduro para realização de uma Assembleia Nacional Constituinte, que o governo pretende iniciar em julho.

Forças. O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) marcou na noite de terça-feira a data de eleições para governadores, uma das exigências dos opositores antes de mudarem o tom para a reivindicação de eleições gerais. As escolhas estaduais ficaram marcadas para o dia 10 de dezembro – a votação deveria ter ocorrido no fim do ano passado, mas foi protelada pelo chavismo.

Hoje, mais uma marcha dos opositores contra a convocação de uma Assembleia Constituinte foi reprimida com violência na capital. Protestos e repressão também foram registrados em diversas outras cidades do país. 

Mortes.  Luisa Ortega  confirmou ainda hoje que nas sete semanas de protestos contra o governo de Nicolás Maduro morreram 56 pessoas, 3 delas membros das forças de segurança, e mais de mil ficaram feridas. 

A chefe do Ministério Público destacou que é preocupante o uso excessivo da força por parte das equipes de segurança na contenção dos manifestantes. “Causa preocupação o fato de termos 500 feridos por violência contra direitos fundamentais. Mais da metade (do total) foi ferida na repressão das forças de segurança. Luisa Ortega especificou que dos mais de mil feridos, 761 eram manifestantes civis. 

Ela também acrescentou que 346 imóveis comerciais foram queimados ou saqueados, o que representa uma perda econômica incalculável que agravará a crise pelo desabastecimento de alimentos e remédios no país. Os protestos começaram em abril depois de o Tribunal Supremo de Justiça assumir as atribuições da Assembleia Nacional, controlada pela oposição. Sob pressão, o TSJ voltou atrás na decisão. / EFE

 

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