REUTERS/Marco Bello
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Procuradora quer indiciar chavistas em caso Odebrecht

Sob ameaça de ser tirada da função por tribunal fiel a Maduro, Luisa Ortega revela plano para processar funcionários por corrupção

Juan Francisco Alonso, ESPECIAL PARA O ESTADO, CARACAS, O Estado de S.Paulo

12 Julho 2017 | 05h00

A procuradora-geral venezuelana, Luisa Ortega Díaz, revelou ontem que pretende indiciar funcionários públicos por corrupção ligada a obras da empreiteira brasileira Odebrecht. O Judiciário do país, cujo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) é controlado pelo chavismo, tem se mantido em silêncio sobre os elos do governo com a empresa, uma inação chamativa se comparada às investigações em curso em países vizinhos. 

 Ortega confirmou pela primeira vez que funcionários públicos do país receberam subornos da construtora em troca de contratos de obras públicas. Ela também anunciou que sua equipe já identificou alguns deles, contra os quais agirá “nos próximos dias”. A procuradora, que rompeu este ano com o chavismo, corre o risco de ser afastada esta semana pelo TSJ. 

“Identificamos vários funcionários públicos que comprometeram o patrimônio do Estado em favor dessa empresa (Odebrecht)”, disse à Rádio Unión. “Temos os contratos e as pessoas que autorizaram a execução dessas obras sem acompanhar esses contratos, de obras que nunca foram concluídas.”

Embora não tenha revelado quantas pessoas estão na mira e qual sua hierarquia dentro da administração pública, Ortega disse ter elementos para processá-las. “Muitos receberam comissões que foram depositadas no exterior, em alguns casos em nome de parentes. Tudo isso já temos bem organizadinho.”

A Odebrecht admitiu diante do Departamento de Justiça dos EUA ter pago US$ 98 milhões em propina no país entre 2006 e 2015, nos governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro. O valor é o mais alto entre os países latino-americanos em que a empresa atuava, depois do Brasil. Em janeiro, ela afirmou que abriu a investigação.

Ortega disse também que teve dificuldades para obter informações relativas à Venezuela na Justiça brasileira. A procuradora afirmou em outra entrevista, à rádio argentina Con Vos, que se manterá no cargo “para defender a democracia” e não reconhecerá a decisão do TSJ sobre sua eventual destituição como chavista crítica do presidente Maduro.

O TSJ deve anunciar hoje uma decisão sobre ela, acusada de mentir em afirmações contra os magistrados. Ortega rompeu com o governo em meio a uma convulsão social e política pelos protestos opositores contra Maduro. A onda de violência já deixou 93 mortos desde 1.º de abril.

Após a libertação do opositor Leopoldo López no sábado, o também antichavista Henrique Capriles afirmou que não há uma luta interna por poder. “Neste momento, não há eleições de nenhum tipo. Como vamos ter uma disputa por lideranças?”, questionou. / COM AFP

 

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