EFE/Miguel Gutiérrez
EFE/Miguel Gutiérrez

Procuradora venezuelana abre investigação por denúncia de fraude na votação da Constituinte

Luisa Ortega Díaz afirmou que o caso ‘é mais um elemento de todo um processo fraudulento, ilegal e inconstitucional’; Maduro rejeita as acusações e alega que processo foi ‘transparente’

O Estado de S.Paulo

03 Agosto 2017 | 08h21

CARACAS - A procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega Díaz, informou na noite de quarta-feira 2 que abriu uma investigação sobre a denúncia de fraude envolvendo a eleição da Assembleia Constituinte convocada pelo presidente Nicolás Maduro. 

"Informo que designei dois procuradores para investigar as quatro reitoras do CNE (Conselho Nacional Eleitoral) por este fato tão escandaloso", disse Ortega, chavista que rompeu com o líder, à rede de televisão CNN.

Segundo a empresa Smartmatic, encarregada do processo de votação, houve fraude em relação ao número de eleitores para a Constituinte. "Com base em nosso robusto método, sem sombra de dúvida, (os números de) participação na eleição da Assembleia Nacional Constituinte foram manipulados", afirmou Antonio Mugica, CEO da companhia britânica em uma coletiva de imprensa.

Ortega, que rejeita a Constituinte e denuncia a "ambição ditatorial" do presidente, destacou que o caso da Smartmatic "é mais um elemento de todo um processo fraudulento, ilegal e inconstitucional que representa" a iniciativa do governante socialista.

"Estamos diante de um fato inédito, grave, que constitui crime", declarou ela, que pediu a realização de uma "auditoria" com "especialistas nacionais e internacionais, que não sejam reitores do CNE, porque estes são os primeiros suspeitos". "Isto é grave, muito grave, e é preciso investigar e determinar as responsabilidades", concluiu.

Maduro rejeitou a fraude afirmando que o processo foi "transparente" e atribuiu a denúncia da Smartmatic a uma "reação do inimigo internacional". "Este processo eleitoral não mancha ninguém, porque é um processo eleitoral transparente", afirmou.

O líder chavista também criticou uma reportagem da agência de notícias Reuters, que apontou que documentos internos do CNE mostraram que até 17h30 de domingo apenas 3,7 milhões de pessoas haviam votado na eleição.

Segundo os dados oficiais, o total de eleitores chegou a 8,1 milhões até 19h, quando as urnas foram fechadas, o que significaria um improvável aumento abrupto na última hora de votação.

"Nós mantemos a nossa reportagem", disse o chefe de Comunicação da Reuters, Abbe Serphos, por e-mail.

Manifestação

A oposição venezuelana marcha nesta quinta-feira, 3, em Caracas, contra o que denuncia como uma "fraudulenta" eleição da Constituinte, cuja instalação foi adiada para sexta-feira

Os opositores tentarão chegar à sede do Parlamento, no centro da capital. Eles têm sido frequentemente bloqueados pelas forças de segurança com gás lacrimogêneo e balas de borracha.

"Segue a luta. Essa fraude coloca o país a caminho de uma explosão social, com uma Constituinte fraudulenta. Esse processo é nulo. É o início do fim", declarou o líder opositor Henrique Capriles, convocando seus simpatizantes à manifestação.

Na quarta-feira, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, solicitou a convocação de uma "reunião urgente" do Conselho Permanente da organização para analisar as eleições da Constituinte na Venezuela.

Almagro também citou como motivo da petição "a manifesta constatação de uma fraude eleitoral que supera amplamente o milhão de votos e, por sua magnitude, não conta com precedentes na região". / AFP, EFE e REUTERS

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