Henry Nicholls / Reuters
Henry Nicholls / Reuters

Justiça sueca reabre investigação sobre suposto estupro contra Assange

Expectativa é que ele compareça ante um tribunal antes da prescrição do crime em 2020 se não for extraditado para os Estados Unidos neste período

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2019 | 06h20
Atualizado 13 de maio de 2019 | 08h50

ESTOCOLMO - A Justiça da Suécia anunciou nesta segunda-feira, 13, a reabertura das investigações sobre o caso de 2010 de suposto estupro contra o fundador do WikiLeaks, Julian Assange. Decisão foi tomada um mês após ele ser preso pela polícia britânica depois de passar sete anos refugiado na embaixada do Equador em Londres.

"Hoje decidi reabrir a investigação", anunciou Eva-Maria Persson, procuradora adjunta. Ela afirmou que pedirá que Assange "seja entregue à Suécia mediante uma ordem de detenção europeia".

A expectativa da Justiça sueca é que ele compareça ante um tribunal antes da prescrição do crime em 2020 se não for extraditado para os Estados Unidos neste período. 

Assange foi detido no dia 11 de abril pela polícia britânica na embaixada equatoriana. "Como Assange está preso no Reino Unido, estão reunidas as condições para sua entrega (à Suécia), o que não era o caso antes de 11 de abril", afirmou Eva-Maria.

O anúncio de Estocolmo é um novo capítulo da novela judicial que dura quase uma década, durante a qual Assange e seus apoiadores denunciaram uma manobra para provocar a extradição do australiano aos EUA para que responda pela divulgação de documentos secretos americanos pelo WikiLeaks.

Para evitar essa extradição, Assange buscou refúgio em 2012 na embaixada do Equador em Londres. Na ausência do australiano e sem capacidade para avançar com a investigação, a Justiça sueca arquivou o caso em maio de 2017. Agora, a Procuradoria vai emitir, no menor prazo possível, um mandato de prisão europeu contra Assange.

Após o anúncio da Justiça sueca, editor-chefe do WikiLeaks, o jornalista islandês Kristinn Hrafnsson, afirmou que a reabertura do caso permitirá a Assange "limpar seu nome". Ele disse em um comunicado que houve "pressão política" na Suécia para que o caso fosse reaberto.

Relembre o caso

Com cerca de 30 anos no momento dos fatos, a suposta vítima conheceu Assange durante uma conferência do WikiLeaks em Estocolmo. Ela o acusa de fazer sexo na madrugada de 16 a 17 de agosto, enquanto ela dormia e sem preservativo, mesmo ela dizendo várias vezes que não o faria sem proteção. O fundador do WikiLeaks sempre afirmou que a relação sexual foi consentida e que ela havia concordado em não usar preservativo.

O australiano foi interrogado no dia 31 de agosto de 2010 pela polícia sueca em Estocolmo sobre uma primeira denúncia apresentada por uma jovem mulher a respeito de fatos supostamente cometidos em 13 de agosto. O caso foi encerrado por prescrição em 2015.

Ele, porém, jamais tinha sido ouvido a respeito do abuso cometido contra a segunda jovem até uma audiência na embaixada equatoriana, em novembro de 2016, na presença de uma juíza sueca. "Eu sou totalmente inocente", escreveu ele em uma mensagem publicada com a transcrição de suas declarações ao procurador equatoriano.

Julian Assange, de 47 anos, é acusado nos EUA de ter ajudado a ex-analista da inteligência americana Chelsea Manning a obter uma senha e acesso a milhares de documentos diplomáticos e da Defesa do país.

Ele se recusa a ser extraditado aos EUA, onde, de acordo com o representante da Justiça americana, enfrenta uma sentença máxima de cinco anos de prisão. O processo de pedido de extradição está em andamento.

No entanto, de acordo com o Ministério Público da Suécia, em "casos de concorrência entre um mandado de detenção europeu e um pedido de extradição americano, são as autoridades britânicas que estabelecem a ordem de prioridade". Enquanto isso, Assange foi condenado a 50 semanas de prisão por violar suas condições de liberdade provisória por um tribunal britânico.  / AP e AFP

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