REUTERS/Henry Romero
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Procuradoria do Equador abre investigação contra Rafael Correa por crime organizado

Além do ex-presidente, seu então vice, seus ministros e outros altos funcionários públicos, além da construtora brasileira Odebrecht, são suspeitos de terem cometido atos de corrupção

O Estado de S.Paulo

12 Setembro 2018 | 16h28

QUITO - A procuradoria-geral do Equador abriu uma investigação contra o ex-presidente Rafael Correa, seu então vice-presidente, seus ministros e outros altos funcionários públicos, além da empresa brasileira Odebrecht, por suspeita de atos de corrupção e crime organizado.

A medida é uma consequência da denúncia apresentada em março pelo líder político César Montúfar, que pediu que a Justiça investigasse a rede de corrupção liderada pela Odebrecht, que entregou quantias milionárias de dinheiro para funcionários públicos em troca de contratos de obras estatais.

Em declarações à rádio Sonorama, o denunciante disse na terça-feira que existia "uma estrutura criminal operando na cúpula do Estado equatoriano, que tinha o poder de mudar a lei e as instituições para substituir funcionários com perspectiva de criar condições mais favoráveis para a institucionalização da corrupção no país".

Ele considerou surpreendente que a acusação não incluiu a Odebrecht em uma investigação de corrupção transnacional e que, depois de mais de dois anos de investigações, o Estado não tenha recuperado "nem um centavo dos bilões de dólares que foram roubados".

Entre os investigados está o o ex-vice-presidente Jorge Glas, preso por outro caso de corrupção; Alexis Mera, secretário jurídico da Presidência; José Serrano, ex-ministro do Interior, além dos ex-procuradores-gerais Carlos Baca e Galo Chiriboga, do ex-controlador Carlos Pólit e do ex-procurador Diego García.

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Além destes, um grupo de ex-ministros e outros altos funcionários, especialmente o setor de petróleo e energia, estão presos ou são julgados por crimes relacionados à corrupção propiciada pela Odebrecht.

Correa, que governou o país com mão de ferro entre 2007 e 2017, deixou o cargo em maio do ano passado, quando foi morar na Bélgica com sua família. Ele nega qualquer ato de corrupção e apontou que os processos contra ele são uma retaliação política. / AP

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