Procuradoria do Equador investiga se Correa recebeu dinheiro das Farc

Guerrilha colombiana pode ter financiado campanha eleitoral de Rafael Correa.

Paúl Mena Erazo, BBC

18 de maio de 2011 | 13h09

A Procuradoria-Geral do Equador anunciou nessa terça-feira a abertura de uma investigação preliminar sobre as acusações de que a campanha eleitoral do presidente Rafael Correa em 2006 teria recebido dinheiro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

As acusações, que já haviam sido feitas anteriormente no Equador, ganharam força na semana passada após a publicação de um relatório do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS, sigla em inglês), de Londres, sobre o conteúdo dos discos rígidos de computador encontrados no acampamento guerrilheiro onde foi morto o líder das Farc conhecido pelo codinome "Raúl Reyes".

Reyes foi morto em uma operação militar colombiana no lado equatoriano da fronteira, em março de 2008, em uma ação que gerou um conflito diplomático entre os dois países.

O estudo do IISS indicou que os arquivos detectados "sugerem que Correa solicitou pessoalmente e aceitou fundos ilegais das Farc em sua primeira campanha em 2006" e observou que essas contribuições seriam estimadas em cerca de US $ 400 mil.

Na terça-feira, após o anúncio da abertura do inquérito, o presidente voltou a negar ter recebido tais contribuições e disse que estava cansado do que ele chamou de "farsa" contra ele.

"Mais uma vez eles levantam o tema das Farc, de que recebemos dinheiro das Farc. Agora parece que são US$ 400 mil e que fui eu quem solicitou", disse Correa, reiterando que está disposto a passar por um detector de mentiras para provar sua inocência.

O governo equatoriano tem questionado a veracidade dos discos rígidos de Reyes, dizendo que o material pode ter sido alterado.

Várias versões

O relatório do IISS não é o único que fez referência às alegadas contribuições das Farc.

Há um mês, vários meios de comunicação divulgaram um comunicado diplomático dos Estados Unidos que vazou pelo Wikileaks, datado de janeiro de 2010, que afirmava que o atual ministro das Relações Exteriores do Equador, Ricardo Patiño, teria gerido os fundos de campanha provenientes da Venezuela e das Farc. Patiño negou a informação.

Após a divulgação do comunicado diplomático americano, o irmão do presidente equatoriano, Fabricio Correa, disse à Rádio Quito que recebeu, na campanha de 2006, por intermédio do coronel aposentado Jorge Brito, ofertas das Farc para contribuir para a campanha. Elas não foram aceitas, segundo Fabricio.

Em 2009, foi divulgado um vídeo do líder guerrilheiro conhecido como "Mono Jojoy" no qual se fala da suposta entrega de dinheiro do grupo rebelde para a campanha presidencial de Correa.

No mesmo ano, o ex-secretário de Governo Ignacio Chauvin foi investigado por supostas ligações com traficantes de drogas ligados às Farc, mas ele foi absolvido em 2010.

Outro ex-membro do governo mencionado no passado por supostas ligações com as Farc foi o ex-ministro Gustavo Larrea, que afirmou que não tem ligações próximas com o grupo guerrilheiro.

Espera-se que, nos próximos dias, tanto Larrea como o coronel Jorge Brito deem suas versões na investigação preliminar aberta pela Procuradoria-Geral.

"Se alguém em nome da campanha de Rafael Correa pediu dinheiro, as Farc foram enganadas, porque nós nunca recebemos o dinheiro deles", disse o presidente.

A investigação aberta pela Procuradoria-Geral nesta terça-feira é o primeiro passo dentro de um inquérito judicial, em um processo que pode levar até dois anos.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.